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FDA abre consulta pública sobre mercúrio na prática dentária

A Environmental Protection Agency (EPA) alertou para o facto de as clínicas dentárias serem grandes poluidores ambientais, ao libertarem as sobras de amálgama através dos sistemas de recolha de águas residuais e o Center for Disease Control chegou mesmo a afirmar que as amálgamas de mercúrio emitem pequenas quantidades de vapores de mercúrio que depois são absorvidos, pode ler-se na notícia.
De acordo com a EPA, o National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES) revelou que, entre 1990-2000, cerca de 8% das mulheres com idades compreendidas entre os 16 e os 49 anos acusaram concentrações de mercúrio no sangue maiores que 5.8 ug/L.
«Com base nesta prevalência na generalidade da população feminina norte-americana em idade de reprodutiva e do número de nascimentos nos Estados Unidos por ano, estima-se que mais de 300.000 recém-nascidos por ano possam ter um risco aumentado de deficiências de aprendizagem associadas à exposição in útero ao mercúrio metilado» – a forma mais tóxica do mercúrio.
As amálgamas dentárias são compostas, aproximadamente, por 50% de mercúrio e 50% de uma mistura de prata, cobre, zinco e estanho. Quanto maior for a quantidade de cobre, mais perigosa se torna a amálgama, pelo processo de galvanização a que os diferentes materiais estão sujeitos.
Contudo, de acordo com a EPA, existem «materiais substitutos disponíveis», sendo que «a amálgama está já a entrar em desuso».
Assim sendo, inúmeras organizações de consumidores e grupos de profissionais, incluindo o Consumers for Dental Choice e a Internacional Academy of Oral Medicine and Toxicology (IAOMT) exigiram que a FDA organizasse uma conferência, na qual fossem elucidados os riscos associados às amálgamas de mercúrio utilizadas na prática dentária.
O sistema de classificação de dispositivos médicos encontra-se dividido em três classes: a Classe I, que envolve ligaduras e depressores de língua, regulados por “controlos gerais”; a Classe II, relativa a “controlos especiais”, e que inclui as amálgamas; e por último a Classe III, que requer “pré-aprovação do mercado”, onde se incluem, por exemplo, os implantes mamários de silicone.
Actualmente, as amálgamas de mercúrio estão inseridas na classe II de dispositivos médicos. Contudo, os grupos que se posicionam contra a sua utilização pretendem ver as amálgamas inseridas na Classe III.
Na Noruega, Suécia e Dinamarca as amálgamas de mercúrio já foram banidas devido à toxicidade em humanos e ambiente. Já na Suécia, Canadá e Reino Unido foi proibido o uso daquelas em mulheres grávidas e crianças.
A disfunção cognitiva e desordens neurodegenerativas, incluindo as doenças de Parkison e Alzheimer, têm vindo a ser associadas à toxicidade do mercúrio.