A investigação foi coordenada pela bioquímica Eneida de Paula e o objetivo era ampliar a eficácia dos sais anestésicos disponíveis no mercado ao encapsulá-los dentro de nanopartículas capazes de levar os princípios ativos ao lugar desejado e liberá-los de forma controlada.
A pesquisa teve início em 2007 com a escolha do carreador ideal para cada anestésico. “Este não poderia causar reações adversas no organismo, teria de ser quimicamente estável e precisava de manter o anestésico no local aplicado pelo maior tempo possível”, disse a investigadora.
Os lipossomas, partículas feitas de lipídios e semelhantes a membranas biológicas, foram os primeiros carreadores testados pelo grupo. Segundo Eneida, os lipossomas são capazes de levar os anestésicos sem gerar reações adversas e já são empregues pela indústria farmacêutica em antivirais, antifúngicos e no desenvolvimento de vacinas e medicamentos contra o cancro.
Os cientistas aperfeiçoaram a composição na forma de um gel que, em alguns casos, é aplicado sobre a mucosa da boca para diminuir a dor da injeção anestésica. Lipossomas foram associados aos anestésicos de uso local, como a benzocaína e a mepivacaína. No caso da benzocaína, foi possível manter a eficácia do gel com a concentração do princípio ativo diminuída em metade, de 20% para 10%.
“O gel preparado também apresentou propriedades reológicas interessantes que possibilitaram ao medicamento permanecer no local aplicado por mais tempo que o produto disponível no mercado, sem derreter e perder a atividade”, concluiu a responsável pelo estudo.