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Jornadas de Ciências Dentárias apresentaram duas cirurgias em directo

«Não existe um padrão para todos os doentes. É necessário o médico conversar e conhecer os seus pacientes, isso traduz-se não só num tratamento de maior qualidade, como também em fidelidade por parte do cliente», afirmou Eduardo Saba Chujfi, especialista em periondontia e em cirurgia e traumatologia buco-maxilo-facial, nas XVII Jornadas de Ciências Dentárias. Durante a sua intervenção sobre cirurgia estética periodontal, o médico dentista salientou a importância da gengiva para o conhecimento do diagnóstico: «a gengiva é transparente», enfatizou.
Aliás, de acordo com Saba Chujfi, qualquer pessoa pode fazer um implante desde os respectivos exames sejam devidamente executados. No entanto, o especialista salientou que, hoje em dia, os profissionais se deparam com um novo problema: os idosos, para os quais, no seu entender, os dentistas não estão preparados para acompanhar devidamente.

«Já fizemos um implante numa senhora de 90 anos que, hoje, está com 105 e está fantástica», contou.
De lembrar que a cirurgia plástica pode ser estética ou reparadora, sendo que «temos de ter cuidado com aqueles pacientes que exigem uma cirurgia estética e comparam o resultado com alguém famoso», alertou Saba Chujfi. Contudo, quando o médico se depara com um problema infeccioso, este deve ser sempre tratado primeiro, como explicou o orador. «Um tecido não inflamado é um tecido cor-de-rosa que não apresenta infecções», disse, acrescentando que a desintoxicação cementária é a melhor opção terapêutica. O médico dentista aproveitou ainda para salientar que na cirurgia plástica periodontal só se operam as áreas que necessitam de intervenção, sendo que o objectivo é «tratar os doentes para que estes fiquem melhor do que o que estavam».

Saba Chujfi recordou que quando é necessário recorrer à cirurgia «temos de pensar que o indivíduo é um todo e não é só a boca», daí a importância de conhecer o paciente. O médico realçou ainda que antes da cirurgia é necessário curar qualquer processo infeccioso. «Curamos o aumento de rebordo, defeitos ósseos e perdas de topografia óssea», exemplificou.

A retracção gengival foi um dos problemas apresentados pelo médico. Uma escovação incorrecta, fumo, drogas, álcool, próteses fixas, doentes que colocam palitos na boca e piercings podem ser algumas das causas deste problema.

Durante as jornadas, Eduardo Saba Chujfi executou duas cirurgias em directo, uma de recobrimento de uma recessão com enxerto livre mais Alloderm e, uma segunda cirurgia, onde executou a sua nova técnica de controlo de exposição da linha de sorriso.

Também Rafael Gomez Font, médico especialista em estomatologia, apresentou durante as jornadas a técnica cirúrgica “Baloon Sinus Lift”. Uma técnica, segundo o especialista, pouco invasiva que permite óptimos resultados e um bom pós-operatório. Também Gomez Font apresentou a técnica “Sinus Lift” na prática. A cirurgia foi realizada com o kit cirúrgico da Meisinger e foram colocados dois implantes Defcon.

José Maria de La Fuente, mestre em Cuidados Primários em Medicina pela Universidade Miguel Hernández de Alicante, apresentou as aplicações de diversos lasers em cirurgia oral, como biopsias, tratamentos periodontais, éxerece de quistos, exodontia de terceiros molares.

As duas cirurgias em directo diferenciaram estas jornadas, organizadas pela Associação de Estudantes do Instituto Superior de Ciências da Saúde Norte, que contaram com cerca de 400 alunos, número que pouco variou em comparação com os anos anteriores. Contudo, segundo a organização, este ano a produção científica dos alunos aumentou. O encontro, que teve como mote “Novas Tecnologias em Cirurgia Oral”, deu a conhecer a forma como o avanço tecnológico permitiu a obtenção de novos resultados em medicina dentária associados, entre outras áreas, à cirurgia oral. Até porque, hoje em dia, existe uma vasta gama de lasers que podem ser usados com diferentes fins em cirurgia oral.

A exodontia cirúrgica de terceiros molares mandibulares é um dos procedimentos mais comuns na área da cirurgia oral e maxilofacial.

O problema dos piercings

Um dos temas focados durante o evento foram as lesões provocadas pelo uso dos piercings. Estes «não são para ser colocados na boca por causa das infecções», advertiu Eduardo Saba Chujfi.

No encontro foi explanado o facto de um piercing poder representar uma agressão contínua de baixa intensidade para a mucosa cuja consequência pode ser o surgimento de uma infecção ou um tumor maligno. Estas alterações variam de acordo com o material do piercing, tamanho, tempo de uso e contacto deste com a mucosa envolvente, sendo que as alterações provocadas pelo uso de piercings aumentam quando associados a outras condições como uma má técnica de escovagem. Os riscos variam desde complicações temporárias relacionadas com a presença do objecto na cavidade oral até complicações mais graves como recessão gengival e severas infecções sistemáticas. As lesões mais frequentes são os danos dentários, como o lascar do esmalte. No encontro foi realçado que os piercings da língua e lábios representam um risco significativo para danos nos tecidos dentários moles e duros, sendo muito importante que os médicos dentistas possuam informação sobre as possíveis complicações que os piercings orais acarretam, tendo em conta o aumento exagerado do número de portadores do piercing oral.
O director clínico do estágio Hospitalar de Medicina Dentária do Hospital da Senhora da Oliveira-Guimarães, Fernando Figueira, aproveitou para relembrar a responsabilidade das instituições de ensino em produzirem uma formação técnica. «É necessário evitar o facilitismo», defendeu. Até porque «o facto de os doentes não morrerem em medicina dentária não significa que não tenhamos cuidado com eles».