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Miguel Pavão alerta Presidente da República para falta de apoios a médicos dentistas 

Miguel Pavão, que recentemente tomou posse como bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas [1] (OMD), alertou o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, para a falta de apoios aos médicos dentistas. O bastonário foi recebido pelo Presidente da República em audiência no Palácio de Belém, em Lisboa, durante a qual explicou a necessidade de linhas de apoio específicas para apoiar a medicina dentária.

Segundo comunicado, durante o encontro, o bastonário da OMD informou o Presidente da República sobre a situação atual da medicina dentária em Portugal e a fase difícil que os médicos dentistas atravessam, depois de ter sido decretado o encerramento das clínicas e consultórios, devido à pandemia de covid-19. A retoma da atividade com grandes condicionantes, para evitar os riscos de contágio, não está a ajudar a recuperação económica rápida destes profissionais liberais.

Relativamente ao ensino da Medicina Dentária em Portugal, Miguel Pavão chamou a atenção para o excesso de profissionais no setor. De acordo com o comunicado, o bastonário terá acautelado a possibilidade de a crise, decorrente da pandemia, vir a agravar ainda mais esta situação, pelo que considera “urgente diminuir o número de vagas em medicina dentária”. De acordo com o bastonário, esta é “uma medida que deveria ser adotada de imediato, já no próximo ano letivo, por todas as faculdades que lecionam o mestrado integrado”.

“Todos os anos entram no mercado de trabalho, já muitíssimo saturado, cerca de 500 novos profissionais. Um número insustentável, que está a provocar um crescimento exponencial da emigração. Hoje, 14% dos médicos dentistas estão emigrados, um fenómeno que continua em crescendo. Neste sentido, irei enviar trimestralmente os números de colegas que abandonam o País ao Presidente da República e ao primeiro-ministro”, explicou Miguel Pavão.

De acordo com os números do Barómetro de Saúde Oral 2019, o candidato a bastonário salienta ainda que, dos 11 mil médicos dentistas inscritos na OMD, cerca de 1 500 já optaram pela emigração. [2]

Segundo o mais recente estudo Os Números da Ordem, que é publicado anualmente e traça o perfil desta classe profissional em Portugal, o País tem um médico dentista para cada 1058 habitantes [3], número superior ao recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Para os países ocidentais, a recomendação da OMS é um rácio de um médico dentista para 1 500 a 2 000 habitantes.

Recorde-se que a diminuição de vagas de acesso aos cursos superiores de Medicina Dentária é uma exigência antiga dos profissionais e estudantes da área [4].