Em declarações à “Lusa”, fontes hospitalares citadas pela “Rádio Renascença” avançaram que o novo serviço está mais moderno, maior e faz parte da nova rede de Urgência Pediátrica Integrada do Porto (UPIP), que pretende articular os cuidados primários com os hospitais para prestar melhor assistência às crianças e adolescentes no local mais adequado.
Um dos objectivos é evitar idas desnecessárias à UPP, já que estas, de Janeiro a Abril, representaram quase 50% do total de atendimentos.
Nas novas instalações da UPP não será recusada a assistência a ninguém, contudo, quem não necessitar de cuidados urgentes será aconselhado a recorrer aos centros de saúde (por enquanto dos concelhos de Gondomar, Maia, Matosinhos, Porto e Valongo), ao Serviço de Atendimento a Situações Urgentes (SASU) e aos hospitais com atendimento pediátrico referenciado – no caso: Centro Hospitalar do Porto e Hospital Pedro Hispano, das 8 às 20 horas.
O aconselhamento é feito pelos enfermeiros que vão fazer a triagem dos doentes no S. João e ainda pelos interlocutores da Linha Saúde 24.
Para dissuadir os utentes de ficarem à espera na Urgência Pediátrica sem necessidade, haverá ainda painéis electrónicos a informar sobre o tempo de espera de atendimento nos SASU. «Esta informação também vai estar online, no site da UPIP, para os pais poderem consultar, antes de sair de casa, qual o tempo médio de espera nos SASU», explicou Helena Jardim, coordenadora do grupo de trabalho da rede UPIP.
Com a partilha de informação entre os vários serviços, «as pessoas vão sentir que é indiferente estar num local ou noutro», referiu ainda, sublinhando que os processos clínicos electrónicos são uma das principais inovações da rede.
Com este sistema, o médico pode aceder a todo a historial clínico do paciente, nem que seja no centro de saúde mais remoto. Na prática, de dia, a criança deve ser atendida no centro de saúde ou no SASU (até à meia-noite e aos fins-de-semana e feriados). Se houver necessidade, o médico orienta-a para a Urgência Pediátrica do Porto. Até às 20 horas, o clínico pode encaminhar o doente para hospitais com atendimento pediátrico referenciado.
Para criar o projecto UPIP, o grupo de trabalho baseou-se em dados estatísticos. Por um lado, os números revelaram que do total de doentes que acorrem diariamente à Urgência Pediátrica do Porto, 48,7% não são referenciados por outro médico e apenas 6,6% ficam internados.
Por outro lado, um inquérito de satisfação, de Julho de 2007, conclui que apenas 8% a 9% das crianças dos concelhos UPIP não têm médico de família. Do total de inquiridos, 47% disseram saber que têm consulta sempre ou quase sempre nos serviços primários, mas admitiram que continuam a recorrer à urgência.
Os dados mostraram ainda que a afluência à UPP ao sábado, quando os centros de saúde estão fechados, não aumenta. Na opinião de Helena Jardim, estes dados concluem que «temos uma população fiel aos centros de saúde e outra fiel ao serviço de urgência». Hábitos que têm de ser alterados: «em tudo há regras, pelo que tem de haver regras para utilizarmos melhor os recursos», considera.