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Não há qualquer conflito entre estomatologistas e dentistas

Não há qualquer conflito entre estomatologistas e dentistas

A Sociedade Portuguesa de Estomatologia e Medicina Dentária (SPEMD) é a sociedade científica mais antiga do país. O recém-empossado presidente Jaime Portugal diz-se orgulhoso deste facto, mas quer mais. Quer uma sociedade científica com os olhos postos no futuro, que saiba responder convenientemente aos inúmeros problemas da saúde oral, pretende que a sociedade científica responda com qualidade profissional às necessidades dos portugueses.

Em conversa serena, o líder da SPEMD esgueirou-se das questões mais polémicas com verdadeiro fleuma britânico, mas ainda assim não deixou de dizer (apenas e tão só) o que queria. Temos presidente!

Está na liderança da SPEMD há poucos meses. Encontrou a casa arrumada ou teve de fazer limpezas extra?
A casa estava arrumada. Do ponto de vista financeiro, a antiga direcção deixou-nos uma situação confortável, conseguiu dotar-nos de uma série de meios imobiliários, que era um dos objectivos da SPEMD, nomeadamente a concretização das sedes (Lisboa, Coimbra e, mas recentemente, Porto). Todas estas sedes irão permitir a realização de eventos científicos nas referidas. Neste momento, já estamos em condições de dinamizar estas secções que têm estado um pouco paradas. No fundo, isto foi um dos grandes legados da anterior direcção e que, agora, já nos vai permitir avançar para outros objectivos.

Este facto irá permitir tripartir a acção da SPEMD em três grandes pólos?
Sempre funcionámos por três secções. Como sabe o nosso Congresso, que é uma das acções mais importantes, sempre funcionou com base nessa alternância. Portanto, estas três secções irão passar a ser o centro nevrálgico dos seus associados, irão poder ir além da organização do congresso, podendo, agora, organizar mais eventos científicos. Irão funcionar como pólo aglutinador em torno da SPEMD e, inclusive, funcionar como espaços de trocas de ideias, mas também de convívio. 

                                   
A SPEMD é a mais antiga sociedade científica do país. Este facto pesa nos ombros de quem a lidera?
Claro. O legado é imenso porque somos uma sociedade com muita história. O nosso objectivo, apresentado na nossa candidatura, foi o de tentarmos transformar a SPEMD numa sociedade moderna, virada para os problemas de saúde oral que existem em Portugal, virada não só para os médicos dentistas e estomatologistas, mas também para a população em geral. Ao longo da nossa história, temos tido bastante preocupação em esclarecer a população sobre quais são os cuidados que deve ter para aumentar a saúde oral, etc. O rastreio oral é disso exemplo. Sendo já o 11ª edilção, que resulta de uma parceria com a Colgate, é uma acção que envolve largos milhares de pessoas, que são feitos de forma gratuita e que possibilita o acesso aos rastreios a pessoas de todas as faixas sociais. Este tipo de iniciativas tem muito mérito porque permite termos uma ideia alargada dos problemas de saúde oral que existem em Portugal. A constatação do estado de saúde das bocas dos portugueses vai permitir desenvolver campanhas de informação que irão ajudar a população quer a prevenir, quer a tratar as suas bocas.

Essa parceria entre a SPEMD e a Indústria dá mais visibilidade aos vossos objectivos?
Pensamos que sim. Parcerias e tudo o que seja agrupar sinergias em prol de um bem comum, deverão ser feitas. Não é pelo facto de nos vermos associados a determinada empresa comercial, e temos colaborado com muitas, que iremos ficar refém dessa empresa ou que a nossa opinião será condicionada.

Contudo, poderá haver alguma “má-língua” em relação a estas parcerias, poderão ser acusados de estar a privilegiar determinada empresa em desprimor doutra. É humano desconfiar?

Poderá haver alguma malícia, admitimos. Se olharmos para a nossa longa história, constatamos que temos sido apoiados por várias empresas… Muita vezes, algumas delas são concorrentes entre si. A nossa preocupação tem ido para o facto não nos vermos veiculados a uma determinada marca, mantendo sempre a isenção. Agora, quando existem sinergias que sejam boas para a marca e para nós – tendo em vista os benefícios dos sócios da SPEMD, os benefícios dos profissionais de saúde oral e de toda a população em geral – iremos prosseguir com estas parcerias.


Acha então que não há o risco de pôr em causa a vossa independência?
Penso que não. A SPEMD tem demonstrado bastante rigor e independência em tudo aquilo que faz. Não vejo qualquer cabimento nessas “associações” que se possam fazer.


Mudando de assunto. O vosso congresso é dos mais bem organizados e atractivos. Quais as expectativas em relação ao evento de Outubro?
O nosso congresso é o mais antigo que existe na área. Os objectivos vão além do circunstancial, isto é, não pretendemos que haja uma transmissão passiva daquilo que existe de mais recente na profissão. Queremos que o congresso seja visto como uma oportunidade de participação activa de todos, um encontro onde possa haver uma troca de ideias entre todos, porque essa troca de ideias e experiências resulta no avanço da ciência e da própria saúde oral. Cada uma a lutar para seu lado, não vamos a lado nenhum. É nosso objectivo que os colegas participem activamente no congresso com a apresentação de posters, etc. Actualmente, temos já sete faculdades e a investigação está a crescer a olhos vistos, quer do ponto de vista da quantidade, quer da qualidade. A SPEMD pretende ser um pólo de atracção entre todos estes investigadores, para que eles possam debater as suas ideias, criando um pólo de transmissão de sinergias para que essa investigação vá cada vez mais longe.


Ano passado o vosso congresso, na parte social, pôs a fasquia muito alta. Os conferencistas e até os principias convidados musicais participaram gratuitamente no evento. O congresso de 2010 vai ter os mesmos pressupostos?
O congresso do ano passado estava inserido nas festividades dos oitenta anos da SPEMD, foi uma ocasião especial. O congresso deste ano já não será feito nos mesmos moldes. Quero com isso dizer que é nosso objectivo inovar, não cair na rotina. De qualquer modo, a sociedade, sendo uma sociedade científico e cultural (esta parte não será descurada) irá proporcionar agradáveis momentos de convívio entre todos os participantes.    


Quer destacar algum tema ou orador em particular?
Fundamentalmente, em termos científicos importa destacar a polaridade de assuntos que vão ser tratados. Temos conferencistas que vêm falar de todos os assuntos que interessam à profissão (medicina oral, odontologia, prótese, etc.). Em suma, iremos tentar ir de encontro aos problemas que todos nós vivemos nos consultórios. Por outro lado, pretendemos solidificar o espaço dedicado à investigação científica, porque achamos importante que a comunidade de investigadores troque ideias e revele as maquinarias que estão aos seu dispor, pois tudo isso torna mais fácil a investigação dos outros pólos.


Não há então nenhum investigador que mereça mais destaque?
Todos eles são importantes e merecem o devido destaque (risos)


Essa é a resposta politicamente correcta…
Não gostaria de estar a destacar um nome só, porque todos eles, cada um na sua área, têm imenso valor.

É vice-director da maior faculdade do país (Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa), é presidente da maior e mais antiga sociedade científica da área. Enquanto homem de ciência e do ensino, como vê os problemas da profissão, que está a braços com sérias dificuldades. Há imensos dentistas que são obrigados a emigrar, etc.
A SPEMD tem de ter a preocupação de aumentar os meios para que a comunidade científica possa evoluir mais na qualidade dos tratamentos oferecidos à população. Para isso, tem contribuído com um vasto leque de formação pós-graduada para o avanço dos nossos associados, porque entendemos que só com uma formação contínua e pós graduada ao longo do tempo é que poderão estar habilitados a oferecer tratamentos de grande nível à população em geral. É para isso que SPEMD existe. A sua pergunta foge um pouquinho ao âmbito das competências da nossa sociedade, mas não é por isso que vou deixar de responder… Esses problemas, sendo problemas profissionais, estão mais dentro da esfera da Ordem. De qualquer modo, vemos alguns desses problemas como uma consequência do aumento do número de dentistas que tem ocorrido nos últimos anos. Para um país tão pequeno como o nosso, termos sete faculdades de saúde oral é um número exagerado.

Acha que há gente a mais no sector?
Segundo os números da Ordem, temos cerca de 6.500 dentistas. O que se nota actualmente é que há já uma dificuldade muito grande na entrada no mundo do mercado de trabalho. Nota-se, também, uma competitividade muito grande entre os profissionais e as clínicas. Esta competitividade poderá funcionar como alavanca para melhorar a qualidade dos tratamentos, mas há uma acréscimo de profissionais demasiado grande para o país que somos. Quando eu me formei, há 17 anos, éramos cerca de 900 médicos dentistas. Agora, somos já 6.500… Lembro também que a grande maioria dos colegas, mais de 50%, são jovens com menos e 35 anos de idade. Sabendo-se que todos os anos saem para o mercado cerca de 500, facilmente chegamos à seguinte conclusão: não estamos a fazer uma renovação da classe, estamos a aumentar o seu número…


O mercado de trabalho, provou-se, não está a conseguir absorver todos estes novos profissionais.
Não sei se vai conseguir ou não. É provável que tenhamos de “exportar” médicos dentistas, nomeadamente para países onde ainda haja falta de profissionais como os PALOP, porque não?
Sinceramente não sei como resolver estes problemas. A preocupação da SPEMD está na necessidade de ajudar a formar estas pessoas, que nas faculdades, quer aquelas que já se formaram e necessitam de formação contínua e actualização dos seus conhecimentos, ajudando a fomentar a competitividade sã e em prol da saúde oral dos portugueses e não aquela competitividade desenfreada e feita por portas travessas…


Há algumas clínicas, alguns profissionais, que praticam “preços de saldo” em alguns dos seus actos médicos. Esta postura pode virar-se contra a classe?
Esse termo é um bocado forte de mais… Aquilo que me preocupa neste momento é que os médicos dentistas, que trabalham para viver, consigam sobreviver com os preços que são praticados por aí. Não sei como se pode fazer isso, pois muitas vezes as seguradoras praticam preços abaixo do preço de custo dos materiais.


Esta situação era expectável ou foi fruto da desorganização política do país?
Lembro-me do primeiro ano em que entrei para a faculdade foi assistir a uma reunião aqui em Lisboa em que se debatia um problema da medicina dentária. Já na altura se falava no excesso de médicos na medicina de dentária. Agora, esse mesmo problema amplificou-se por “mil”, nada tem a ver com aquilo que ocorria em 1987. O que é certo é que os profissionais lá vão conseguindo, com mais ou menos dificuldade, entrar no mercado e trabalho. Penso que todos aqueles que conseguirem investir na sua actualização científica acabarão por conseguir trabalhar em Portugal. Não estou com isto a dizer que aqueles que são obrigados a emigrar sejam piores do que os que cá ficam, porque muitas vezes são tão bons ou melhores, de certeza que os colegas que, por exemplo, vão para Inglaterra são piores do que os cá ficam, porque senão também não os queriam lá. Em suma, o futuro será daqueles que conseguirem acompanhar a evolução. Antigamente, ficávamos nos nossos consultórios sem ver ninguém durante anos, sem ir a congressos, sem participar em formações pós-graduadas. Essa realidade acabou! Só singra quem acompanhar a obrigatória necessidade de actualização de conhecimentos, quem fizer outro tipo de tratamentos, quem apostar numa maior especialização.


Até porque actualmente os grandes grupos da medicina dentária, como o grupo Maló e outros, conseguem cativar os clientes com qualidade de serviços, mas também com outras mais-valias como a oferta de serviços de SPA e outros.
Devido à legislação, é cada vez mais oneroso fazer a manutenção de um consultório dentário. Por isso, é natural que surjam associações entre os vários colegas e que apareçam clínicas grandes, porque são mais fáceis de gerir e são mais rentáveis, uma vez que não têm os custos associados às pequenas clínicas.


As grandes clínicas ganham, também, porque apostam numa gestão profissional?

Obviamente que é mais fácil trabalhar quando temos um gestor a fazer o seu papel. O grande problema da saúde oral em Portugal é que são obrigados a ser bons médicos dentistas, bons médicos estomatologistas, bons gestores, têm, muitas vezes, de ter conhecimentos na área do direito, e isso é muito difícil. Nós devíamos fundamentalmente de nos preocupar com o tratamento dos nossos doentes e deixar de lado a gestão, o direito, etc. Portanto, é natural que se houver uma congregação de colegas que tenham alguém na retaguarda a tratar destas questões, alcancem mais facilmente o êxito. Aliás, é provável que seja esse o modelo do futuro, em que haverá maior especialização de cada um, que estará por detrás da criação de outras grandes empresas.   
  
           
As seguradoras são vossas parceiras ou já não compensa trabalhar com eles?
A nível pessoal, estou à vontade para criticar porque não trabalho com qualquer companhia de seguros. Aquilo que ouço dizer é que volta e meia há revisão dos valores praticados nas tabelas e essas revisões são sempre para baixo. Ou seja, em vez de haver uma verdadeira actualização de preços, ainda se baixam mais as tabelas… Assim, é incomportável. Existem até algumas companhias que “obrigam” os colegas a prestar alguns serviços gratuitos. Sou completamente contra isso! Estamos a faltar ao nosso código deontológico, mas essas questões devem ser respondidas pela Ordem e não por nós.

A necessidade obriga os médicos a fazer coisas que seriam impensáveis há alguns anos atrás?
(pausa) Que lhe parece?

Repito que não queria entrar nesta esfera dos acontecimentos, uma vez que estamos a fugir às competências da SPEMD. Nós pretendemos garantir uma formação de qualidade para que possam aplicar esses conhecimentos nos tratamentos da população. Quanto ao resto, são questões profissionais.


Mas a SPEMD é constituída justamente por profissionais que sofrem na pele todas estas controvérsias, que não estão imunes a estes problemas.

Com certeza. Já transmiti a minha opinião pessoal. A SPEMD não pode, não deve, veicular opinião a nível laboral, mas apenas no âmbito científico.


A Ordem tem cerrado fileiras na defesa da inclusão dos dentistas no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Concorda com esta medida?

Acho que toda a população deve ter direito à prestação de cuidado de saúde. Nesse âmbito, penso que também deveria ter direito a ter cuidados de saúde oral, até porque sem uma boa saúde oral não pode haver saúde geral. Isto é, ao contrário das outras especialidades, se o doente não tiver dinheiro que lhe permita aceder aos cuidados privados, é muito complicado. Existem alguns serviços hospitalares, mas são escassos. Contudo, devo acrescentar que não concordo com a inclusão da medicina restauradora nos serviços públicos, porque é um desperdício de recursos.


Como resolver o problema?
Esse papel cabe ao Governo e à Ordem.   
               
Os estomatologistas, porém, não aceitam que os dentistas pisem os seus terrenos. Isto é, que sejam incluídos no SNS. A SPEMD inclui dentistas e estomatologistas, mas até agora ainda ninguém a ouviu a intervir nesta batalha…
Esse é um problema laboral. Nós devemos preocupar-nos com a parte científica da profissão. Contudo, a nossa cultura assenta em pressupostos culturais em que há boas relações entre todos nós. Devemos dar-nos bem para que a profissão atinja um patamar mais elevado para podermos melhor servir a população. Qualquer das formas, essa questão, do suposto conflito, está perfeitamente ultrapassada. Dou-me perfeitamente bem com todos os estomatologistas, com todos os médicos dentistas. Não vejo qualquer trica política entre nós. O facto de uns ter acesso privilegiado aos serviços de saúde estatais e os outros não terem esse acesso tão facilitado (há, contudo, já alguns médicos dentistas no SNS) está a esbater-se. Claro que os médicos estomatologistas estão mais vocacionados para fazer serviço hospitalar do que os médicos dentistas, mas não vejo que haja qualquer tipo de querela entra as partes.


No passado, esse conflito existiu e deixou marcas.
Existiu, mas foi há muitos anos.


Ao fim e cabo estamos a falar de sobrevivência, de disputa de postos de trabalho?
Se me disser que essa guerra existiu há 20 anos, não o posso negar, porque ocorreu de facto, mas hoje em dia está perfeitamente ultrapassado. Lembre-se que há 20 anos eram os estomatologistas os únicos a prestar este tipo de tratamentos. É normal que com o surgimento de uma nova profissão tenham reagido, de forma normal, face à concorrência. Rapidamente a “coisa” foi serenada.


A SPEMD tem feito o papel de “árbitro” na desinteligência?

Orgulhamo-nos de ser talvez a única sociedade em que existe um convívio (institucional, científico e social) entre estas duas partes. Para a SPEMD, não há qualquer distinção se determinado sócio é médico estomatologista ou médico dentista. Somos, todos nós, profissionais que têm um só objectivo: oferecer os melhores cuidados de saúde aos portugueses.     

                                  
Já agora, as relações entre a Ordem e a SPEMD e a Ordem são cordiais ou há alguma pedra no sapato?
Pedra no sapato? Pelo menos no meu não há nenhuma! (risos). Falo na Ordem dos Médicos Dentistas e da Ordem dos Médicos (e seu colégio de especialidade de estomatologia). Tenho repetido que é nossa intenção manter boas relações com todas as instituições que estejam relacionadas com a nossa sociedade, incluindo a OMD, OM e também a Associação de Higienistas Orais, Associação dos Técnicos de Prótese e até com a Associação dos Assistentes Dentários, porque todos nós fazemos parte da grande família da Saúde Oral. E se houver alguma pedra na engrenagem da saúde oral, essa equipa não funciona.
Relativamente às nossas relações específicas com as Ordens, reitero que não existe qualquer pedra no sapato; dou-me muito bem com o Dr. Orlando Monteiro da Silva, que é uma pessoa com grande carisma e grande capacidade de trabalho. Há sempre divergências, mas são pontuais e não têm qualquer significado.


A Ordem dos Médicos tem-se mantido um pouco à margem dos problemas dos estomatologistas. Que nós nos lembremos, ninguém ouviu o bastonário (Pedro Nunes), que utiliza o espaço mediático com mestria, a emitir qualquer opinião pública na defesa destes médicos.
Pois… muitas vezes, o número também conta. Os estomatologistas são cada vez menos. De qualquer forma, os estomatologistas têm o seu espaço próprio dentro da OM, têm o seu colégio de especialidade que se tem mostrado combativo na defesa dos seus. Essa posição é algo injusta, porque estes profissionais estão bem representados pelo referido colégio.


Referíamo-nos ao facto do bastonário da OM falar pouco ou nada dos problemas da saúde oral. É habitual ouvirmos intervenções da OM a propósito de tudo e de nada, mas, que nos lembremos, esta estrutura nada diz sobre os problemas dos estomatologistas.

É normal, as pessoas associarem estas questões aos médicos dentistas e à sua Ordem, pois o número de médicos dentistas é muito mais elevado do que os estomatologistas.         

A SPEMD já está no Facebook. As redes sociais, estes novos meios de divulgação e informação, ajudam a divulgar os vossos propósitos?
Um dos nossos objectivos é o seguinte: fazer com que a SPEMD não seja apenas história. A SPEMD tem um lugar importante no presente e tem lugar no futuro. É para isso que nós trabalhamos. O presente e o futuro está já assente nas novas tecnologias; não basta puxar dos galões e dizer que somos a sociedade mais antiga e deixar ficar as coisas como estão. Estas redes sociais ajudam a divulgar as nossas acções, ajudam a fazer chegar a mensagem a mais colegas, fundamentalmente aos mais jovens. Em suma, a SPEMD quer ser uma sociedade moderna e com os olhos postos no futuro.


Quais os próximos objectivos mais prementes?
Um dos objectivos que nós tínhamos quando recebemos a direcção da sociedade era dotarmos a SPEMD de meios físicos (sedes) que nos possibilitassem ir um bocadinho mais além das direcções anteriores; agora já é possível. Outra das nossas apostas passa pelo reforço da formação – queremos incentivar e reforçar as Noites da SPEMD, que está a ser uma mais-valia para todos. Por outro lado, queremos criar pequenos cursos de formação (de um dia) e, claro, manter a qualidade do nosso congresso. Queremos reforçar a ideia que o nosso congresso seja o evento por excelência do debate de ideias, que seja o local onde as pessoas vão para enriquecer a sua bagagem científica e cultural e não apenas para receber informação de forma passiva. Queremos que os profissionais participem activamente no congresso, apresentem problemas e soluções, debatam ideias, de forma pacífica e sem querelas. Por outro lado, queremos que a nossa revista fosse vista como uma revista de referência, não só para os portugueses, mas também para os países d língua oficial portuguesa. Pretendemos que a revista tenha uma certa internacionalização, até porque, actualmente, já há muitos colegas brasileiros que nos enviam os seus trabalhos para serem publicados; há muitos colegas brasileiros que consultam o nosso site para ler artigos. Para além disso, pretendemos que a SPEMD seja, também, um espaço de convívio, um espaço cultural de referência para todos nós.


Quer deixar alguma palavra para os estudantes?
Os estudantes são o futuro da medicina dentária. Queremos que os jovens participem no congresso de forma activa, pois o futuro a eles pertence.

Apesar de tudo, podemos considerar que Santa Apolónia não abandonou os seus protegidos?
Penso que não. Aliás, ainda bem que fala de nossa padroeira porque os encontros de Santa Apolónia são um dos momentos sociais mais importantes da nossa profissão. Constitui uma boa oportunidade de reunião entre os médicos dentistas e os estomatologistas, um momento onde se põe a conversa em dia e se convive de forma despreocupada. Queremos continuar a apostar neste evento. 

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