Orlando Monteiro da Silva, bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, refere que “este relatório surge como um retrato atual da profissão em Portugal. Paralelamente, visa ser um documento indicativo de cenários futuros, para a medicina dentária portuguesa.”
A OMD encara este crescimento no número de profissionais do setor com alguma preocupação, uma vez que “é um crescimento muito superior às necessidades do país, e que coloca Portugal entre os países da Europa com menor rácio de habitantes por médico dentista. Este ano vamos atingir um rácio de um médico dentista para 1 155 habitantes, quando a recomendação da Organização Mundial de Saúde é de um médico dentista por 2 mil habitantes. E tudo indica que daqui a três anos haja um médico dentista por 937 habitantes, ou seja, existirão o dobro dos médicos dentistas necessários. Um cenário terrível para quem está a entrar na profissão.”
De acordo com os mesmos números, atualmente existem mais de 3 mil alunos inscritos nas sete faculdades que lecionam em Portugal cursos de Medicina Dentária. Para o bastonário “o que torna o rácio em Portugal ainda mais dramático é que no nosso país a esmagadora maioria da população não tem acesso a cuidados de saúde oral no âmbito do Serviço Nacional de Saúde, contrariamente à maioria dos países europeus onde há convenções entre o Estado e os consultórios privados ou assistência no âmbito dos serviços públicos de saúde.”
A média de idades dos médicos dentistas registados na OMD é de 38 anos, sendo que nos membros do sexo feminino esta média situa-se nos 36 anos e é inferior à média de idades dos membros do sexo masculino que está nos 40 anos. Os dados mostram também que existe uma tendência de feminização da profissão, sendo as mulheres já 57,9% do total de membros inscritos na OMD.
Para além disso, dos profissionais ativos na OMD, 91,7% tem nacionalidade portuguesa e concluiu a licenciatura ou mestrado integrado em Portugal. Já no que diz respeito à distribuição da população por médico-dentista verifica-se que as regiões da Lezíria do Tejo, Alentejo Central e Baixo Alentejo são as regiões onde existem menos médicos dentistas por habitantes.
Já nas regiões do Cávado, Terras de Trás os Montes, Área Metropolitana do Porto, Região de Coimbra, Viseu Dão-Lafões e na Área Metropolitana de Lisboa o número de habitantes por médico dentista é menor que a média nacional.
Os números agora divulgados mostram ainda que Reino Unido (59%), França (12,9%) e Brasil (7,4%) são os principais destinos de emigração dos médicos-dentistas portugueses, uma tendência que se tem mantido inalterada nos últimos anos.
A OMD conta também com inscritos de 39 nacionalidades, com destaque para o Brasil com 446 médicos dentistas a exercer em Portugal, seguindo-se Itália com 58, Espanha com 47 e a Alemanha com 31.