Octávio Ribeiro é médico dentista e sócio-gerente da Clínica Médica Corpus Dental. No próximo dia 26 de junho, vai marcar presença no DentalBizz [1] para falar da transição do analógico para processos cada vez mais digitais. Em entrevista à SAÚDE ORAL, o médico dentista defende as inúmeras vantagens da integração da tecnologia na prática clínica e diz que o foco passará a estar “no planeamento e no estudo dos casos”.
O que é que podemos esperar da sua apresentação no Dentalbizz?
Na minha apresentação vou focar o processo de transição de um fluxo de trabalho analógico para o digital. Existem várias perguntas que podemos colocar quando pensamos fazer essa transição.
A primeira pergunta é: quais são as vantagens dessa mudança? É uma pergunta importante, uma vez que vamos sair da nossa zona de conforto para abraçar ‘novas’ formas de chegar à mesma meta. Assim, vou enumerar e dissecar os elementos digitais disponíveis, atualmente, na medicina dentária. Que tecnologia adquirir? Qual é a nossa prioridade? É só adquirir ou também requer uma forte formação na área? São outras perguntas que surgem e que também vou procurar responder.
A grande vantagem de se trabalhar num fluxo totalmente digital é o ganho de ‘tempo’. Reparem, se eu perder dinheiro, eu consigo, mais tarde, ganhar esse ou mais dinheiro. Com o tempo, isso não é possível! Não é possível ganhar o mesmo tempo novamente. Outra vantagem é o grande foco no planeamento e no estudo dos casos. A nossa atuação clínica começa a dar mais ênfase ao planeamento para diminuir e facilitar os processos técnicos e cirúrgicos do procedimento definido. Outra vantagem é a interação dentista-laboratório de prótese. As barreiras físicas praticamente desaparecem e o ruído na comunicação é drasticamente diminuído. Traz um novo sentido para o conceito de equipa.
Quais as principais vantagens da integração das ferramentas digitais na medicina dentária?
A principal vantagem da integração das ferramentas digitais é o ganho de tempo. Tempo de consulta e tempo na finalização da reabilitação oral; facilidade de armazenamento dos dados, uma vez que deixamos de necessitar de espaço físico para guardar informações referentes aos processos dos pacientes para os ter armazenados numa ‘nuvem’ digital; facilidade de comunicação e interação com o laboratório; e facilidade de comunicação com o paciente.
Os pacientes são recetivos à utilização de tecnologia durante a consulta?
A tecnologia para além de simplificar os processos cirúrgicos e técnicos, veio ajudar na comunicação médico-paciente. A minha interação e explicação com os pacientes fica muito mais facilitada. Existe mesmo uma ‘alegria’ no trabalho, com a aplicação das ferramentas digitais. Os pacientes acompanham e percebem o fluxo digital e torna-se mais fácil a resposta a perguntas que, entretanto, tenham sobre o caso delas. A previsibilidade dos trabalhos executados e as expectativas dos pacientes são controladas e geridas.
Quais serão, na sua opinião, as maiores evoluções a que vamos assistir nos próximos anos no setor por influência da tecnologia?
A maior evolução no setor vai ser a aplicação e utilização da inteligência artificial. [É] uma espécie de assistente/administrativo que nos apoia nos processos logísticos de uma consulta, de um ato cirúrgico e nos processos administrativos subjacentes à gestão de uma clínica ou hospital. O recurso a uma entidade artificial que nos permite integrar toda a informação do paciente de uma forma lógica e útil para o médico dentista vai tornar as nossas consultas mais abrangentes, interativas e menos demoradas.
Os Prémios Saúde Oral celebram este ano o seu 10.º aniversário. Qual é a importância desta iniciativa para o setor?
Os prémios da revista Saúde Oral são únicos. Além de serem pioneiros no setor, começaram a ser atribuídos mesmo antes de existirem especialidades estabelecidas pela Ordem dos Médicos Dentistas e vieram premiar os colegas que, em cada área académica, trabalharam e se destacaram tanto ao nível clínico, como ao nível da formação. Os prémios são uma recompensa da sociedade para com os colegas que dedicaram a sua vida profissional em prol dos pacientes. E podem e devem servir de incentivo para o presente e para o futuro.