A Ordem dos Médicos Dentistas emitiu esta quarta-feira (6 de julho) um comunicado em que pede a “redução imediata” no número de vagas nas sete faculdades de medicina dentária existentes em Portugal. De acordo com a OMD, em 2015 houve um aumento de 4,6% no número de profissionais inscritos na OMD, para um total de 8933 profissionais, e nas faculdades de medicina dentária o número de inscritos era de 3192 alunos.
Segundo a OMD, “este aumento de médicos dentistas está muito acima das necessidades do país e da renovação das gerações de profissionais”. Estes números constam do documento ‘Números da Ordem 2016’, um estudo elaborado pela OMD e que traça um retrato do mercado da medicina dentária em Portugal.
Orlando Monteiro da Silva, bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, sublinha que “o número de profissionais de medicina dentária é excessivo face às necessidades da população portuguesa. Já estamos muito acima da recomendação da Organização Mundial de Saúde de um médico dentista por cada 2 mil habitantes. Aliás, pelas estimativas da OMD daqui a dois anos teremos um médico dentista por mil habitantes, o dobro dos médicos dentistas que o país precisa. O subemprego nesta área é absolutamente dramático para os mais jovens, que se desdobram a trabalhar em quatro ou cinco locais em simultâneo, com situações muito precárias e ordenados baixíssimos.”
Aposta no ensino pós-graduado
Para o bastonário “é urgente tomar medidas e as faculdades de medicina dentária têm de se entender e reduzir drasticamente o número de vagas para mestrados integrados. Na abertura do próximo ano letivo, já em outubro, é imperativo que haja menos alunos no primeiro ano. A medicina dentária é uma profissão que exige uma atualização constante, pelo que as faculdades podem e devem apostar no ensino pós-graduado, quer para médicos dentistas portugueses, quer para profissionais estrangeiros. O nosso ensino é reconhecido mundialmente e temos todas as condições para receber médicos dentistas de outras nacionalidades que necessitem de atualizar a sua formação.”
De acordo com os números da OMD referentes a 2015, a média de idades dos médicos dentistas a exercer em Portugal é 38 anos, com uma percentagem de 64% dos médicos dentistas inscritos com menos de 40 anos. Além disso, 58,7% são mulheres, tendência que, segundo a OMD, “tem vindo a acentuar”.
Por outro lado, os dados revelam que a emigração de profissionais de medicina dentária continua a crescer, sobretudo junto dos mais jovens. O número de membros inativos que pedem a suspensão da inscrição aumento em cerca de 1,5%, para 10,9%, e destes a maioria opta por emigrar.
Para Orlando Monteiro da Silva, estes dados mostram “a saturação da profissão, a emigração é crescente e estamos a investir na preparação destes jovens para depois eles irem trabalhar no estrangeiro. O Ministério da Saúde apresentou um projeto-piloto para a saúde oral nos centros de saúde. Desafiamos o Ministério a acelerar este projeto contratando médicos dentistas para os centros de saúde e para os hospitais em todo o país. Porque se há médicos dentistas em excesso, a verdade é que a população continua a ter grandes dificuldades em aceder a cuidados de saúde oral. É um paradoxo a que urge pôr termo”.
O bastonário da OMD deixa ainda “outra nota de preocupação com os médicos dentistas no Reino Unido, o principal destino dos profissionais que emigra. É com preocupação acrescida que assistimos à saída do Reino Unido da União Europeia, que seguramente terá consequências no futuro.”
“No Reino Unido trabalham 53% dos médicos a exercer no estrangeiro. Segue-se França com 14,6% e o Brasil com 7,3%. Quase 92% dos médicos dentistas inscritos na OMD tem nacionalidade portuguesa, sendo que há 437 médicos dentistas brasileiros a exercer em Portugal, seguindo-se 71 da Itália e 65 da Alemanha. No total, há médicos dentistas de 38 nacionalidades a trabalhar em Portugal”, revela o documento.