Orlando Monteiro da Silva revela que “a proposta entregue ao Executivo reflete o crescente consenso dentro da profissão e das faculdades de medicina dentária de que a formação deve ser alargada e por isso propomos a criação de um estágio clínico profissional, remunerado, com caráter de internato, que poderá permitir um período profissionalizante de acesso ao mercado, através de formação acompanhada e de contacto direto com pacientes”.
O documento apresentado ao Governo revela ainda dados atualizados sobre os profissionais da medicina dentária a exercer em Portugal. Na OMD estão registados 7419 médicos dentistas de 33 nacionalidades, sendo que quase metade destes profissionais está concentrada nos distritos de Lisboa e do Porto. Há 20 anos estavam registados na Ordem 761 profissionais.
Orlando Monteiro da Silva refere que “pelas previsões da Ordem, este número vai aumentar ainda mais podendo chegar aos 11 mil e 500 médicos dentistas, dentro de quatro anos. É um número que nos deve fazer refletir porque demonstra a necessidade de racionalizar os recursos humanos nesta área. Há 2900 alunos nas várias licenciaturas de Medicina Dentária. A média etária dos profissionais não ultrapassa os 38 anos, o que quer dizer que há mais médicos dentistas a entrar no mercado de trabalho do que a sair. E é preciso ter em conta que ainda há muitos médicos dentistas estrangeiros a pedir equivalências para poderem trabalhar em Portugal”.
Orlando Monteiro da Silva teme que a situação de muitos profissionais possa agravar-se porque “quando o país cresce, tudo se torna fácil. Quando a economia contrai, o mal vem ao de cima e o desemprego na medicina dentária não é um desemprego como em qualquer outra área. É um subemprego precário e envergonhado, o que é algo muito difícil de aceitar socialmente”.


