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OMD propõe ao Governo criação de estágio clínico

Código Deontológico da OMD entra em processo de alteração

O secretário de Estado para o Ensino Superior, João Filipe Queiró, recebeu do bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas um dossier com a situação da medicina dentária em Portugal, onde se destaca o excesso de formação dos médicos dentistas. A proposta elaborada pela OMD pretende alterar a atual situação, que permite a prática da medicina dentária imediatamente após a conclusão do mestrado integrado (cinco anos, antes de Bolonha era de seis), ao contrário do que se passa nos cursos de medicina e de direito, e na medicina dentária da maioria dos países europeus.

Orlando Monteiro da Silva revela que “a proposta entregue ao Executivo reflete o crescente consenso dentro da profissão e das faculdades de medicina dentária de que a formação deve ser alargada e por isso propomos a criação de um estágio clínico profissional, remunerado, com caráter de internato, que poderá permitir um período profissionalizante de acesso ao mercado, através de formação acompanhada e de contacto direto com pacientes”.

O documento apresentado ao Governo revela ainda dados atualizados sobre os profissionais da medicina dentária a exercer em Portugal. Na OMD estão registados 7419 médicos dentistas de 33 nacionalidades, sendo que quase metade destes profissionais está concentrada nos distritos de Lisboa e do Porto. Há 20 anos estavam registados na Ordem 761 profissionais.

Orlando Monteiro da Silva refere que “pelas previsões da Ordem, este número vai aumentar ainda mais podendo chegar aos 11 mil e 500 médicos dentistas, dentro de quatro anos. É um número que nos deve fazer refletir porque demonstra a necessidade de racionalizar os recursos humanos nesta área. Há 2900 alunos nas várias licenciaturas de Medicina Dentária. A média etária dos profissionais não ultrapassa os 38 anos, o que quer dizer que há mais médicos dentistas a entrar no mercado de trabalho do que a sair. E é preciso ter em conta que ainda há muitos médicos dentistas estrangeiros a pedir equivalências para poderem trabalhar em Portugal”.

Orlando Monteiro da Silva teme que a situação de muitos profissionais possa agravar-se porque “quando o país cresce, tudo se torna fácil. Quando a economia contrai, o mal vem ao de cima e o desemprego na medicina dentária não é um desemprego como em qualquer outra área. É um subemprego precário e envergonhado, o que é algo muito difícil de aceitar socialmente”. 

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