Os números são objetos usados para medir, descrever ou quantificar.
Existem desde tempos imemoriais e são usados para as mais diversas atividades humanas.
Aqui vão alguns números, os Números da Ordem, para que não haja enganos ou manipulações sobre os mesmos. Sim, porque os números podem ser manipulados, ou seja, condicionados, influenciados, adulterados ou falsificados, geralmente em proveito próprio.
Há mais de 20 anos havia já sete faculdades de medicina dentária, exatamente as mesmas que existem nos dias de hoje.
A Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) registava, no final do ano passado, 10 653 membros com inscrição ativa. As conclusões do estudo Números da Ordem mostram que há 1 509 médicos dentistas a exercer, exclusivamente, no estrangeiro, e estimam que a exercer, exclusivamente, em Portugal, sejam 9 385. Há 327 médicos dentistas que trabalham em simultâneo em Portugal e no estrangeiro e 847 inscritos que não exercem a profissão.
Embora o número de estudantes portugueses tenha decrescido face ao ano anterior, verifica-se que o número de estudantes de medicina dentária, no geral, aumentou 5,5%. Este número sustenta-se no forte aumento do número de estudantes estrangeiros, na casa dos 37,5%, demonstrativos de uma mudança de paradigma nas universidades nacionais.
O reconhecimento internacional do ensino da medicina dentária em Portugal tem sido cada vez maior e muitos são os que escolhem o nosso País para fazer a sua formação de base, regressando depois ao país de origem, não vindo a ser membros ativos da OMD a exercer no nosso País.
A formação universitária deixou de ser, essencialmente, dirigida ao mercado português e para os Portugueses, e passou a ser um serviço, um valor acrescentado dirigido também a nacionais de outros países, dentro e fora da União Europeia. Mais de um terço dos alunos das instituições portuguesas de ensino superior são provenientes do estrangeiro, com prevalência de França, Itália e Espanha, entre outras nacionalidades.
Vamos aos factos… “O termo facto, do latim factus, faz referência àquilo que acontece, à ação, à circunstância ou ao assunto de que se trata”.
Nenhuma ordem tem legitimidade de ingerência na autonomia constitucional do ensino superior.
Os numerus clausus são da responsabilidade do Estado e das faculdades, e não das ordens profissionais.
Não é permitido a uma ordem introduzir quotas de acesso à profissão, exames ou contingentes; não é apenas a lei nacional, são também as diretivas europeias que o determinam.
As ordens profissionais cumprem missões conferidas por lei e as tutelas do ensino superior e outras são responsáveis pelos seus programas de ação. Chama-se a este facto autonomia universitária.
A OMD é a única entidade em Portugal que, por livre iniciativa, divulga estudos e comparações de números exaustivos no âmbito da saúde oral.
A opinião é um “substantivo feminino que significa a manifestação de uma forma de ver, representando o estado de espírito e a atitude de um indivíduo ou de um grupo em relação a um determinado parâmetro ou realidade”.
Costuma-se dizer que as há para todos os gostos…
Aqui vai a minha a este propósito: é profundamente errado atacar o reconhecimento internacional concedido às faculdades portuguesas e aos nossos médicos dentistas por mérito próprio; mais ainda quando temos hoje a exata noção de que os alunos, cada vez mais estrangeiros da União Europeia, regressam ao seu país de origem para trabalhar após a formação. O principal motivo de mobilidade é a busca de melhores condições de exercício e remuneração
Não se pode confundir demagogicamente os que buscam um reconhecimento salarial mais rapidamente elevado quando comparado com o nível salarial português, com o tema empregabilidade. É uma falácia.


