Recentemente foi convidado como palestrante principal do Congresso da Sociedade Chinesa de Estética Dentária. Como surgiu este convite?
A Sociedade Chinesa de Estética Dentária é uma sociedade criada recentemente e está conectada com as principais sociedades de estética dentária, nomeadamente a Americana e a Europeia. Tive o prazer de ser convidado como palestrante no 1º Congresso organizado por eles, em Shanghai, no passado mês de Setembro. O convite surgiu através do patrocinador principal do Congresso, a 3M ESPE internacional, que propôs o meu nome à comissão científica e organização. Talvez por nos últimos anos ter estado presente em vários eventos científicos na China (esta foi a 4ª vez que lá estive nos últimos três anos) o meu nome começa a ser de algum modo conhecido por lá.
Qual o tema da sua palestra e qual o feedback que teve por parte da assistência?
O tema que abordei nesta palestra foram as restaurações indiretas CAD/CAM, nomeadamente novos materiais e técnicas. O feedback foi muito positivo. Estavam presentes cerca de 200 congressistas e as reações que tive por parte da organização e participantes não podia ter sido melhor. Além de representar o meu País e Instituição de Ensino, sabe sempre bem sermos reconhecidos pelo nosso trabalho.
É difícil entrar neste mercado?
Penso que não se trata de ser difícil ou fácil. Acho que temos que aproveitar as oportunidades quando elas surgem e agarrá-las com toda a energia que pudermos. É isso que tento sempre fazer. O idioma é o maior obstáculo neste mercado. Mesmo nas gerações mais novas são muito poucos aqueles que falam inglês. Isto leva sempre à necessidade de um tradutor durante as conferências. Outra dificuldade pode ser os produtos com que estamos habituados a trabalhar e que são inexistentes na China. Devido a procedimentos legais de registo de produtos para a saúde, a grande maioria dos produtos importados utilizados em medicina dentária levam entre três e quatro anos a serem aprovados para comercialização.
Nota que há abertura por parte da Sociedade Chinesa aos profissionais do Ocidente?
Cada vez mais. A sociedade chinesa esteve isolada do resto do mundo no que respeita à informação. Ainda hoje isso acontece, não existe acesso a websites como o Facebook, Google ou Youtube. No entanto nota-se uma procura cada vez maior, principalmente por parte dos mais novos, pela atualização profissional. Prova disso é a constante procura por formação fora da China, nomeadamente no continente norte-americano.
O que temos a ganhar com a entrada neste mercado? Em formação, por exemplo?
A China, além da extensão geográfica, é um dos países com mais médicos dentistas. Esta procura atual pela formação qualificada além-fronteiras por parte dos médicos dentistas jovens abre portas às nossas Instituições Universitárias e Centros de Formação credenciados para um mercado com um potencial enorme de desenvolvimento. Como mercado emergente que é poderia dizer que neste momento a China é uma terra de oportunidades para a Medicina Dentária.
Como está a estética dentária do povo chinês? É um povo que se preocupa com a sua saúde bucal?
Na China, tal como na grande maioria dos países, existem sempre extremos… talvez por ser um país tão grande estes extremos comecem a ser mais visíveis. Pelo conhecimento que tenho das cidades que visitei na China, cerca de oito até agora, diria que o povo chinês se preocupa com os cuidados básicos de saúde oral. A medicina dentária hospitalar comunitária é muito popular por lá, em detrimento da privada.
Claro que existem sectores da população que se preocupam mais com a estética e são mais exigentes, e aí existem centros de excelência, com o melhor do que existe na medicina dentária. Os médicos dentistas chineses preocupam-se cada vez mais em estar atualizados nesta área, para poderem oferecer aos seus pacientes o melhor. Prova disso são as assistências sempre numerosas que tenho tido nas minhas conferências. Na última conferência que dei esta vez na China, na cidade de Xiamen, estavam presentes mais de 500 dentistas. Isto só prova o quão grande é a medicina dentária chinesa e o seu interesse e abertura ao ocidente.


