Poderá a saúde ser vista como uma atividade económica ou como um negócio como qualquer outro? A questão esteve em debate durante o fórum de Regulação de Medicina Dentária: Reconhecimento de Qualificações Profissionais, que decorreu no XXV Congresso da OMD.
O percurso da regulação da medicina dentária nos vários países europeus e nos EUA foi um dos temas abordados, nomeadamente os desafios que se colocam aos médicos dentistas e ao exercício da profissão.
Perante a crescente exigência da população face a cuidados de saúde oral de qualidade e a um aumento crescente das despesas nesta área, os convidados relataram a experiência dos seus países quanto à capacidade de regulação e aos modelos em vigor.
De acordo com a Ordem dos Médicos Dentistas, que cita Orlando Monteiro da Silva, bastonário dos dentistas, “a saúde é um valor cujo preço individual ou para a sociedade não ousaria quantificar”. “A prestação de cuidados de saúde, essa sim, tem custos e tem um preço”, mas “não pode ser um negócio como outro qualquer”.
Já Marco Landi, presidente do Council of European Dentists (CED), referiu durante o evento que “quando um paciente procura um tratamento, ele não quer satisfazer um desejo, ele quer uma resposta para as suas necessidades”. Gerhard Seeberger, presidente da Assembleia-Geral da FDI, explicou, por outro lado, que o “dinheiro não compra a saúde”.
A Diretora do departamento Jurídico da OMD, Filipa Carvalho Marques, sublinhou também que “o que torna a saúde especial é o facto de os sistemas económicos serem todos transitórios, enquanto o valor humanista da regulação em saúde é permanente”.


