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Portugueses não sabem que as arritmias podem conduzir à morte

Portugueses não sabem que as arritmias podem conduzir à morte

89% dos portugueses não sabe que as arritmias cardíacas podem ser fatais e apenas uma minoria da população (2,6%) admite espontaneamente estar preocupada com esta doença.

Este é o resultado mais evidente de um estudo nacional pioneiro, divulgado pelo Instituto Português do Ritmo Cardíaco (IPRC), a Associação Portuguesa de Arritmologia, Pacing e Electrofisiologia (APAPE) e a Associação Portuguesa de Portadores de Pacemakers e CDI´s (APPPC). 

A investigação revela que 39,3% dos portugueses não reconhece qualquer sintoma das arritmias cardíacas, apesar da maioria da população (81,6%) afirmar que já ouviu falar desta doença. O estudo indica ainda, que a dor súbita e intensa na zona do peito é o principal motivo que levaria os portugueses a recorrer a um cardiologista (40,5%), logo seguido pelas dificuldades respiratórias (18,3%). As palpitações ou batimentos cardíacos estranhos são apenas o terceiro motivo para uma eventual consulta a um especialista (17%).

De acordo com o Dr. Daniel Bonhorst, presidente do IPRC, «os resultados do estudo demonstram que existe uma falta de informação grave e que o público em geral desconhece os riscos das arritmias cardíacas, a principal causa de morte súbita. É preocupante saber que os portugueses não têm a percepção da relação entre os problemas de ritmo cardíaco e as suas consequências fatais».

De facto, quase metade dos portugueses (45,5%) associa a morte súbita ao enfarte do miocárdio, seguido dos AVC´s (23,2%), ou insuficiência cardíaca (11,9%), sendo que apenas 5,4% a relaciona com as arritmias cardíacas.
O estudo indica também que as doenças cardiovasculares são consideradas a quarta doença mais grave (10,2%), depois do cancro (54%), da doença de Alzheimer (14,4%) e do HIV/Sida (14%). Ainda assim, apesar de ser a primeira causa de mortalidade em Portugal, apenas 1 em cada 10 portugueses elege as doenças cardiovasculares como sendo as doenças mais graves no contexto de outras patologias.

Relativamente aos dispositivos médicos cardíacos, os portugueses demonstram ter um bom conhecimento sobre pacemakers, já que 7 em cada 10 já ouviu falar deste dispositivo cardíaco implantável. No entanto, apenas 13,8% já ouviu falar em desfibrilhadores, um dispositivo que permite controlar os ritmos rápidos do coração e prevenir a morte súbita.

Por outro lado, a grande maioria dos portugueses que já ouviram falar de dispositivos médicos cardíacos (76,7%) não sabe se existem actividades proibidas aos portadores de pacemaker ou desfibrilhador, enquanto 14% afirma que existem actividades que um portador não deve realizar, entre as quais, fazer esforços físicos ou de alta competição (10,6%), utilizar os aparelhos eléctricos domésticos (1,4%), utilizar o telemóvel (0,8%) ou viajar de avião (0,5%). Apenas 9,3% dos portugueses considera que não existe qualquer restrição.

Os resultados deste estudo comprovam a necessidade de intervenção na comunidade geral, de forma a clarificar mitos e verdades sobre as arritmias cardíacas, permitindo o desenvolvimento de estratégias de prevenção da morte súbita. Foi por esta razão que “nasceu” a campanha “Bate, bate coração” – www.batebatecoracao.com -, uma iniciativa inédita em Portugal, apadrinhada pelo fadista Carlos do Carmo, ele próprio portador de pacemaker, que visa sensibilizar a população em geral para as arritmias cardíacas, educar sobre os seus riscos e esclarecer sobre os meios de diagnóstico e tratamentos existentes.

Para a realização deste estudo, foram inquiridas 771 pessoas, com mais de 18 anos, de ambos os géneros, residentes em território continental. A amostra apresenta uma margem de erro de 3,46% para um intervalo de confiança de 95%.

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