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Própolis pode ajudar a tratar efeitos da radioterapia em cancros da cabeça e pescoço

Própolis pode ajudar a tratar efeitos da radioterapia em cancros da cabeça e pescoço

Um medicamento feito à base de própolis, uma espécie de resina produzida por abelhas, poderá ajudar a prevenir e tratar inflamações, infeções e ulcerações orais comuns em pacientes que recebem radiação contra cancros na região da cabeça e do pescoço. O gel está a ser desenvolvido pela Pharma Nectar, uma empresa brasileira, em parceria com a Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Minas Gerais (FO-UFMG).

A radiação usada no tratamento dos cancros da cabeça e do pescoço muitas vezes causa efeitos como a mucosite (inflamação da mucosa) e a xerostomia (falta de saliva, ou boca seca), alterando ainda a microbiota da boca, facilitando a ocorrência de infeções por microrganismos que vivem ali naturalmente, como a Candida albicans. Em pacientes de radioterapia, o fungo cresce de forma descontrolada, provocando uma doença chamada candidose ou candidíase bucal.

Vagner Rodrigues Santos, responsável pela equipa que está a estudar os benefícios da própolis, refere que a ideia de criar um medicamento à base desta substância surgiu quando percebeu que havia a necessidade de um produto que trouxesse melhor qualidade de vida para as pessoas que sofrem com este tipo de problemas.

“Surgiu-me a ideia de criar um gel que fosse mucoadesivo e que tivesse propriedades ao mesmo tempo anti-inflamatórias, anestésicas, lubrificantes, antifúngicas, antibacterianas e cicatrizantes – todas qualidades atribuídas à própolis”, explica. “O que temos observado até agora, tanto no estudo de fase II como neste de fase III, é que os pacientes que fazem o uso adequado do gel antes de iniciar a radioterapia não têm mucosite ou, se têm, não é tão grave”, conclui o investigador.

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