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Reino Unido: Problemas persistem dois anos após implementação do contrato dentário

Reino Unido: Financiamento de Medicina Dentária no SNS assegurado até 2011

Os pacientes do Reino Unido preferem recorrer à extracção dentária por se tratar da opção mais barata face ao contrato dentário estabelecido pelo governo britânico há dois anos.

A colocação de próteses dentárias aumentou devido ao alerta de que o novo sistema dentário favorece práticas dentárias mais antigas e rápidas em detrimento de procedimentos mais complexos, noticiou o “Mail Online”.
Dados do Centro de Informação do Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS, na sigla inglesa) revelaram ainda que, pela primeira vez, que mais de 1.1 milhões de pacientes recorrem menos a médicos dentistas do serviço público.
Mas são as mudanças nos modelos de tratamento que estão a lançar mais polémica, com a British Dental Association (BDA) a solicitar uma investigação urgente sobre a matéria.
Anteriormente, a remuneração dos médicos dentistas era feita consoante a realização de tratamentos individuais. Agora, recebem um salário anual correspondente a uma determinada porção de trabalho.
Desde a introdução do novo contrato dentário, em Abril de 2006, que se tem vindo a assistir a uma queda contínua da realização de tratamentos mais complexos, denominados “Band 3”, contra um crescimento de 10% verificado nos outros tipos de tratamentos.
Os tratamentos que incluíam aplicação de próteses dentárias aumentaram de 38% para 48% entre 2003 e 2004 e 2007 e 2008, enquanto que as extracções aumentaram de 7 para 8%. No Reino Unido, o número de coroas colocadas desceu de 40 para 35% e os preenchimentos de 28 para 26%.
Os tratamentos classificados como ‘urgentes’ também desceram 9% no último ano, sugerindo que um maior número de pessoas está a desvalorizar os cuidados dentários.
Num relatório altamente crítico, o Commons Health Select Committee alertou para o facto de os médicos dentistas não usufruírem de nenhum incentivo financeiro para realizar tratamentos apropriados que são mais complexos e demorados.
O número de pacientes que visitou um médico dentista do SNS britânico, durante os dois primeiros anos de implementação do contrato dentário, foi de 27.049 mil, um número inferior em relação aos 28.145.000 nos dois anos anteriores a Março de 2006.
Os dados indicam ainda que 20.815 médicos dentistas ofereceram algum nível de trabalho no SNS britânico, durante o segundo ano de existência do contrato, mais 655 no primeiro ano. Contudo, a BDA estima que mais de mil abandonaram o SNS quando o contrato foi estabelecido.
Os custos com os cuidados médico-dentários no SNS britânico aumentaram de 55 milhões para 531 milhões de libras só no ano passado, um crescimento correspondente a 12%.
«Estes relatórios evidenciam os problemas existentes desde que foi implementada a reforma do SNS na Saúde Oral em 2006», criticou a presidente do quadro executivo da BDA, Susie Anderson. «Mais de um milhão de pessoas perdeu acesso aos cuidados de saúde públicos», contestou, acrescentando que «aqueles que continuam a ter acesso ao SNS são confrontados com um sistema que desmotiva cuidados modernos e preventivos ao incidir nos objectivos e não nos pacientes».
Já Barry Cockcroft, do Chief Dental Officer britânico, defende que «os últimos dados revelam que a Medicina Dentária do SNS está a evoluir positivamente». «Temos mais médicos dentistas este ano em relação ao ano passado», sendo que «está-se a demonstrar que as críticas daqueles que afirmaram que iria existir um êxodo massivo de médicos dentistas públicos face ao novo contrato estão erradas».
«A saúde oral da nação melhorou dramaticamente nos últimos dez anos devido à pasta dentífrica fluorizada, à água fluorizada e a uma maior consciência em relação à importância da higiene oral», concluiu o responsável.

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