- Saude Oral - https://arquivo.saudeoral.pt -

SimSmile: Medicina dentária de proximidade

A sua formação é em turismo, mas ainda não tinha acabado o curso e já a medicina dentária fazia parte sua vida, pois em part-time vendia planos de saúde. Atualmente Ana Duarte é proprietária e diretora-geral das clínicas SimSmile, uma situada em Encarnação, perto de Mafra, e a outra no Infantado, em Loures. A SAÚDE ORAL visitou o espaço do Infantado, que oferece outras valências da medicina como pediatria, ortopedia, clínica geral ou oftalmologia.

“Na altura, a abertura destas valências foi quase por acaso porque o nosso forte é e vai continuar a ser a medicina dentária”, relata Ana Duarte. No entanto, a experiência ensinou-a que concentrar estas especialidades num mesmo espaço “faz todo o sentido e funcionam como complemento da medicina dentária”. Ou seja, na SimSmile o foco é a saúde oral do paciente, mas por vezes esta pode estar dependente de problemas que vão além dos da cavidade oral. Daí ser uma mais-valia ter outras valências da medicina apenas à distância de uma porta. Por outro lado, seguindo a lógica daquilo que se passa em meio hospitalar, “os pacientes gostam de tratar de todos os seus problemas de saúde no mesmo local”.

A chegada ao Infantado

A experiência adquirida nas duas clínicas fá-la sonhar mais alto e, neste sentido, Ana Duarte tem dois projetos que tenciona iniciar em 2015. O primeiro é mudar para instalações maiores no Infantado, de modo a poder disponibilizar mais serviços, e o segundo “é abrir uma terceira SimSmile, sendo que ainda não tenho um local definido, mas que dificilmente será só dedicada à medicina dentária. Acredito que conseguiremos crescer com mais facilidade se oferecermos outras especialidades da medicina”.

Recuando no tempo, a aventura começou em 2010, com a abertura do primeiro gabinete de medicina dentária na Encarnação dentro de uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS). “Quando o médico dentista que exercia saiu, e já que eu trabalhava na área dos planos de saúde, pediram-me se encontrava algum médico para o substituir. Achei que era altura certa de arriscar, em termos de avançar para a gestão de uma clínica”.

Em 2011 abriu a SimSmile do Infantado. “Passado um ano, após a experiência na Encarnação, resolvemos alargar o projeto. Inicialmente tínhamos pensado abrir a clínica na Venda do Pinheiro, mas depois de efetuarmos uma pesquisa de mercado constatámos que havia uma maior carência em Loures, designadamente aqui no infantado”, salienta Ana Duarte. O local escolhido foi um tiro certeiro e o balanço da presença nesta área é “bastante positivo”, daí que a proprietária diga que “mais facilmente sairia da Encarnação do que do Infantado”.

“Não sentimos a necessidade de trabalhar com seguros. Como é uma zona mais rural, o paciente é mais fiel e não está tão preocupado com o dinheiro.”

Um mal necessário

Ainda assim, a presença no Infantado acabou por revelar um lado perverso. “Quando começámos não trabalhávamos com seguros, porém ao fim de três meses pedi ao corpo clínico que aceitasse, porque se não começássemos a trabalhar com seguros não iriamos conseguir sobreviver”. Deste modo, Ana Duarte considera que são “um mal necessário” dado que em certas situações, como as destartarizações, trabalhar com seguros “é complicado”. Ou seja, “fazemos um tratamento destes a custo zero, quando temos pelo menos o custo da mão-de-obra e do material”. Porém, manifestando-se como uma pessoa otimista, encara esta circunstância como o início de uma relação com o paciente. “Desta maneira damos a conhecer os nossos serviços, daí que a destartarização acaba por ser o primeiro ponto de contacto porque depois o mais provável é que a pessoa volte e aí temos mais trabalho”.

Já no Infantado “não sentimos a necessidade de trabalhar com seguros. Como é uma zona mais rural, o paciente é mais fiel e não está tão preocupado com o dinheiro”. No Infantado “já se tem uma mentalidade mais orientada para os seguros e para aproveitar os descontos”, completa João Pedro Travassos, um dos médicos dentistas que trabalha na SimSmile desde o início.

“A resolução de casos que envolvam “pessoas que tinham um estado de saúde oral muito mau é muito gratificante.”

Os condicionamentos da crise

A clínica possui todas as valências da medicina dentária, o que é uma mais-valia quando se está perante pacientes que, «comparados com Lisboa ou Cascais, têm um nível de saúde oral mais baixo e, por isso, necessitam de tratamentos mais básicos para um bom estado de saúde oral ou de reabilitações maiores”, elucida João Pedro Travassos. O médico dentista fez algumas pós-graduações, designadamente em próteses fixas, outra em cirurgia, em Cuba, e uma terceira em implantologia e reabilitação, no Porto, pois “são as áreas em que gosto mais de trabalhar”, revela.

Servindo a clínica uma população bastante carenciada ao nível da medicina dentária, a resolução de casos que envolvam “pessoas que tinham um estado de saúde oral muito mau é muito gratificante”, indica o médico dentista. Mas há outros casos que ficam na memória, como pacientes que “tinham próteses totais e quando colocaram implantes e se aperceberam da diferença ficaram muito satisfeitos”, indica João Pedro Travassos. No entanto, o médico dentista alerta que, no contexto atual, “é mais difícil fazermos reabilitações como gostaríamos, nomeadamente com implantes que são as de maior qualidade”.

A crise veio sem dúvida condicionar a rotina diária da SimSmile. “Tem tido bastante impacto e o fator preço ganhou relevância”, aponta Ana Duarte, acrescentando que “atualmente os pacientes pedem orçamentos em várias clínicas e, muitas vezes, ficam por aí, não avançando para os tratamentos”.

Uma relação pessoal

Apesar de estarem muito na moda, Ana Duarte não pensa recorrer aos vouchers promocionais. “Está fora de questão. Mas fazemos campanhas publicitárias próprias, por exemplo na clínica da Encarnação tivemos oferecíamos o aparelho a quem fizesse o nosso plano de saúde, sendo que havia uma fidelização por dois anos e funcionou muito bem”. Isto porque, “como estive associada aos planos de saúde criei um para as clínicas e é uma maneira de fazer os preços baixarem”, completa Ana Duarte, destacando que “as campanhas que fazemos procuram ir ao encontro das necessidades das pessoas”. E descobrir quais são estas necessidades é uma preocupação constante da diretora-geral, pois a análise dos pacientes possibilita, posteriormente, “estabelecer as melhores soluções. No Infantado esta estratégia faz a diferença – o boca-a-boca tem funcionado muito bem – porque noto que os pacientes já pedem para falar comigo. Tem-se estabelecido uma relação muito pessoal”.

E é este trabalho que tem vindo a desenvolver com os pacientes que procuram os cuidados de saúde da SimSmile que, entre todas as tarefas, mais gosta de fazer; sendo que durante a conversa com os pacientes alguns dos temas discutidos passam pelo “plano de tratamento, como fazer os pagamentos, o tempo de duração”, deixando os médicos dentistas livres para se dedicarem inteiramente à parte clínica. Uma maneira de trabalhar apreciada pelos médicos dentistas. João Pedro Travassos refere que, por exemplo, “costumo marcar uma consulta apenas para explicar os tratamentos quando são complexos, depois deixo a parte dos valores e do fasear de pagamentos para a Ana”.