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Sono e ingestão de açucares ajuda a compreender obesidade infantil

De acordo com os resultados decorrentes da aplicação de métodos objetivos de avaliação, quer dos padrões de sono (através de actigrafia), quer do status nutricional (através da aplicação de diários alimentares), existe uma necessidade de alertar pais e educadores para uma realidade preocupante que é a da falta de sono, refere Miguel Meira e Cruz. As regras elementares de higiene do sono são descuradas por grande parte da população adolescente e adulta. “Mas na fase particularmente vulnerável, a que corresponde o grupo etário incluído no estudo, é um verdadeiro drama constatar que, na generalidade, as crianças dormem, em média 7,3 horas durante a semana e 7,4 horas durante o fim de semana”. O que significa que as crianças dormem cerca de 2 horas a menos do que os estudos normativos indicam ser típico para esta idade.

“As crianças estão a crescer e a desenvolver vários órgãos e sistemas dependentes de substâncias que são eficientes apenas quando se cumprem as fases e os ciclos de sono normal (é o caso da hormona de crescimento e do cortisol). O sono insuficiente envolve, nas crianças, um aumento do risco para a existência de défices neuro-cognitivos e dificuldade na aprendizagem e memorização, alterações comportamentais e do humor, comportamentos de risco no futuro, fadiga e dor crónica”, informa Meira e Cruz.

Muitas vezes, a um sono insuficiente durante a semana corresponde um aumento do tempo de sono durante o fim de semana. “Curiosamente, nesta população, as diferenças foram discretas e a eficiência do sono, ainda que distinta, foi claramente reduzida em ambos os momentos (81% e 83%, respetivamente durante a semana e durante o fim de semana, para um normal que se quer acima dos 85%)”.

Num estudo anterior, já publicado, foi demonstrado que os hábitos erráticos e redução do tempo total de sono nestas idades podem ser explicados, pelo menos em parte, pela interação familiar e pela permissividade excessiva dos educadores, “mas é muito interessante observar as consequências deste comportamento negligente”. Um outro dado alarmante foi o da associação negativa entre ingestão calórica sob a forma de hidratos de carbono durante a semana e a eficiência do sono no fim de semana. A falta de sono engorda, e os mecanismos que contribuem para isso são vários e interdependentes. Filipa Penela, Nutricionista e co-autora do estudo, advertiu no entanto para a necessidade de reunir uma amostra maior para confirmar esta relação e sua importância clínica, assim como significado fisiopatológico, mas adiantou que este tema tem enorme relevância e impacto dada a grande prevalência de obesidade infantil.