A experiência, que pode dar um novo fôlego a esta investigação, usou ratos como cobaias. A equipa do especialista em stress e imunologista Firdaus Dhabhar realizou duas experiências para despistar os ratos mais nervosos e depois submeteram os animais a radiação ultravioleta, num ritmo de exposição semelhante ao das pessoas que passam demasiado tempo ao sol. Eventualmente, todos iriam ter cancro da pele, mas o objetivo era detetar diferenças entre os mais e menos ansiosos.
Os animais mais ansiosos tiveram mais lesões em todas as fases do desenvolvimento dos tumores e só estes tiveram metástases. “Apesar de termos esta hipótese antes de conduzir as experiências, foi surpreendente observar que uma característica psicológica pudesse ser associada com a progressão aumentada do tumor semanas e meses mais tarde”, disse Dhabhar. Os ratos mais ansiosos tinham níveis mais elevados da hormona do stress corticosterona, semelhante ao que acontece com pessoas com ansiedade crónica ou stress continuado.
Detetaram ainda níveis elevados de moléculas que favorecem o crescimento e disseminação de tumores. “É suficientemente mau que o diagnóstico e tratamento do cancro gerem stress e ansiedade, mas este estudo mostra que a ansiedade e o stress também podem acelerar a progressão do cancro, perpetuando um círculo vicioso”, alerta o investigador, para quem o caminho passa por testar intervenções que diminuam esta suscetibilidade, por exemplo, ver se tomar tranquilizantes maximiza de alguma forma os tratamentos oncológicos.


