Saúde Oral – Em que consiste o projecto de promoção da saúde no Nepal?
Mário Rui Araújo – Tudo nasceu do protocolo de colaboração entre o Instituto Superior de Saúde do Vale do Ave (ISAVE), no âmbito do Programa Erasmus, e a Kantipur School of Dentistry, Universidade de Amesterdão, que já tinha lançado este programa em Kathmandu, no Nepal. Este projecto pretende criar uma equipa de profissionais na área da saúde oral, capazes de dinamizar a promoção da saúde e a prevenção das doenças orais. Ele tem como principal objectivo criar grupos de profissionais originários e residentes no Nepal, com conhecimentos académicos, capazes de cimentar projectos de prevenção das doenças orais para os anos futuros. Grosso modo, é objectivo criar uma equipa de profissionais na área da saúde oral, capazes de cimentar projectos de prevenção das doenças orais no futuro, providenciando formação específica nas áreas da saúde oral aos estudantes do curso de higiene oral de Kathmandu; apoiar na área de educação em higiene oral na Escola Superior de Medicina Dentária de Kathmandu, actuando com professores convidados, de forma a enriquecer o currículo nas áreas da prevenção e promoção da saúde; apoiar as actividades de educação para a saúde planeadas pela Associação de Higienistas Orais do Nepal; ajudar a estabelecer projectos locais de prevenção das doenças orais, entre outros. A nossa participação, para além de colaborar na avaliação do projecto, está ligada também à intervenção com práticas pedagógicas alternativas em relação à promoção da saúde.
– Segundo sabemos, a escola holandesa terá ficado fascinada com a vossa metodologia alternativa de ensino e foi por isso que vos convidou para levar o mesmo método para o Nepal.
– Efectivamente. Nós acreditamos que se pode ensinar com o brincar, com os jogos, porque acreditamos que já não se pode fazer promoção da sáude como se fazia normalmente. Não é verdade que as crianças tenham que aprender aquilo que nós queremos que eles aprendam. Actualmente, este tipo de mentalidades está desajustado da realidade. Por isso, nós gostamos de utilizar a dinâmica de grupo, o jogo, os jogos tradicionais. A nossa metodologia baseia-se na ideia que o brincar nos leva a reflectir porque é que brincámos daquela maneira e o reflectir leva-nos ao cerne do assunto que queremos trabalhar…
– Quer exemplificar?
– Podemos pegar no exemplo de um jogo tradicional. Se pusermos um grupo de crianças a jogar à apanhada, vamos constatar que à medida que o jogo vai avançando o grupo dos perseguidores vai diminuindo. De repente, na última fase do jogo, percebemos que só já há um fugitivo, que os outros todos andam atrás do mesmo. Quando os sentamos em roda e lhes perguntamos como é que foi um a fugir de tantos e, na derradeira fase, como é que foi fugir de todos os outros elementos do grupo, é então que eles nos dizem que ao princípio era mais difícil, porque tinham de correr atrás de 23, mas à medida que foram sendo apanhados, o grupo fortaleceu-se e criou-se um maior espírito de grupo, sendo mais fácil conseguir o objectivo final. «Ao início, era mais difícil, mas depois, como já tinha mais gente do meu lado, foi mais fácil». É aí que nós “aproveitamos” para lembrar que com os dentes passa-se exactamente o mesmo: se houver muitas bactérias, o dente tem poucas hipóteses de “fugir”…
Leia o resto da entrevista na Saúde Oral N.º 67. Brevemente.


