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VII Congresso da SPCO

Em jeito de conversas em família, o médico e docente José Pedro Figueiredo, que falou sobre a temática do doente polimedicado em cirurgia oral, não se cansou de fazer variadas chamadas de atenção, principalmente aos mais jovens, para a importância da credibilização da profissão juntos dos doentes. «Os médicos dentistas não são meros tratadores de dentes, meros tira-dentes. Temos de fazer passar a mensagem que somos verdadeiros especialistas. Não se admite que alguém vá tratar um dente e venha de lá muito doente (…) Cada vez mais é necessário saber mais de medicina, porque ocorrem situações onde somos obrigados a demonstrar que sabemos do que falamos e somos solicitados a dar repostas mais qualificadas».

O professor universitário referiu, por exemplo, que o tratamento de um doente diabético pode servir para o dentista pôr em prática todos os seus conhecimentos técnicos (e até do intrincado da mente humana). O diabético, segundo Figueiredo, «não vos deve meter medo de tratar». É um doente que gosta de se «sentir especial, gosta de estar “doentinho”; por isso, é necessário que lhe demonstremos que sabemos o que estamos a fazer». Na óptica de Figueiredo, devem «usar-se sempre» os vasoconstritores porque «atrapalha mais estar a operar um indivíduo que se está a babar por todo lado». Por outro lado, as extracções devem ser feitas de forma faseada, para evitar perigosas hemorragias.

Já no caso de um doente com patologia renal, onde há também uma tendência hemorrágica, as consultas «devem ser marcadas par o dia a seguir à hemodiálise» e não se deve usar aspirina (a), uma vez que este fármaco facilita a circulação.

Um paciente que esteja a ser medicado com corticóides (que está ou esteve a tomar estas substâncias) deve, na visão do orador, informar o médico que o está a tratar, mas o “problema” é que nem sempre o doente que está em corticoterapia avisa o médico, uma vez que não relaciona a perigosidade do tratamento com uma intervenção cirúrgica na boca. «Temos de perguntar, sempre, quando e durante quanto tempo tomou os corticóides: É obrigatório! Há o risco de haver uma crise aderente: hipotensão e até morte. Se morrer um paciente por crise aderente é um verdadeiro problema», explicou, adiantando, por outro lado, que os dentistas «não devem inibir-se de dar anti-coagulantes».

Voltando a bater na tecla da importância dos conhecimentos de medicina, o professor exortou os colegas a «mostrarem que sabem a “potes” de medicina» – seguindo a velha máxima socrática, só quem sabe pode pôr os seus próprios conhecimentos em dúvida – nomeadamente nos casos em que surgem hesitações sobre os conhecimentos de certo fármaco. «Se o doente disser que está a tomar um medicamento “esquisito”, não hesitem em ler o Simpósio Terapêutico. Parem e leiam, não se importem de parecer que estão a hesitar. Médico que tem a mania que sabe é uma besta!».

A terminar, o prelector, que preside à Sociedade Portuguesa de Estomatologia e Medicina Dentária (SPEMD), lembrou ainda a importância da história clínica de cada paciente. «Não arrisquem, não facilitem. O doente tem dizer, em concreto, qual o medicamento que está a tomar. Façam o favor de tranquilizar o vosso doente, porque é essencial que ele perceba que não está a ser tratado por um tira-dentes”, reiterou.

Não perca a reportagem completa na próxima edição da Saúde Oral.