«Há medida que envelhecemos, a face perde estrutura», garantiu Helena Ribeiro durante a sua palestra, “Alguns aspectos do diagnóstico dos doentes ortodôntico-cirúrgicos”, no XVI Congresso da SPO. Quanto à cirurgia da espinha nasal, de acordo com a especialista, cirurgiões plásticos e anatomistas consideram que a ponta do nariz é suportada por factores major e minor, sendo que esta é o “mestre-de-cerimónias” da face e «o olho humano é sensível à projecção do nariz, ou seja, mesmo que o rosto tenha defeitos, se a ponta estiver bem projectada, essas imperfeições são ocultadas». A clínica salientou ainda que «a cirurgia ortognática pode fazer rinoplastia de forma simples».
Para Nuno Barbosa, «existem complicações no âmbito da cirurgia ortognática e só com conhecimento se podem evitar». O especialista do Hospital Garcia de Orta referiu, durante a palestra “Complicações em cirurgia ortognática”, que é necessário ter em mente objectivos como «a satisfação das expectativas do doente». Para além disso, «poucos procedimentos têm um grau de exigência tão elevado».
Ainda na fase do pré-operatório, para evitar as complicações, Nuno Barbosa aconselha a «ouvir-se o doente e os familiares». Por outras palavras, «fazer uma avaliação psicológica do paciente». Uma «má preparação ortodôntica compromete os resultados», sublinha.
No relativo às complicações operatórias, o cirurgião menciona o risco de mortalidade, desfiguramento, desconforto e recidiva. No primeiro caso, por exemplo, sublinha a dificuldade de intubação nasotraqueal ou mesmo obstrução das vias aéreas. Já nas situações de desfiguramento, Nuno Barbosa explica que «há perdas substanciais de osso devido a necroses assépticas ou sépticas. Para evitar estas complicações, aconselha a que se façam «descolagens menos agressivas».
Em jeito de conclusão, o orador assegura que, em termos das complicações, «o seu conhecimento e a sua discussão são a melhor forma de as evitar».
Conferências de alto nível científico
Esta edição do congresso foi subordinada ao tema “Ortodontia Presente & Futuro”, o presidente da comissão organizadora, João Manuel Lopes Fonseca, explica a razão de tal escolha: «é importante delinearmos estratégias para o futuro porque tem havido muitas mudanças na sociedade, sobretudo ao nível da estética. Uma preocupação legítima que sentimos e que começa em nós próprios, pois somos influenciados pelos padrões de beleza que aparecem, por exemplo, na televisão». Neste sentido, «a medicina, de uma forma geral, e não exclusivamente a dentária, tem de se adaptar obrigatoriamente à actualidade, visto que nós trabalhamos com pessoas e para as pessoas e é nossa obrigação tentar arranjar soluções duradouras, estáveis e estéticas».
Apesar de se mostrar «muito satisfeito» com a forma como o evento decorreu, uma vez que «vivemos num tempo tão conturbado de crise económica e há dificuldades em conseguir que as empresas patrocinem eventos científicos», o ortodontista não esconde as dificuldades pelas quais a comissão passou durante a organização do congresso, exactamente, por causa da crise. «Tentar motivar essas casas comerciais para o facto de este evento ser considerado importante e não apenas mais um, porque hoje em dia há muitos congressos – e, por exemplo, é difícil arranjar-se uma data que não se sobreponha a outra – foi um trabalho difícil e árduo do grupo que liderei». Tendo sido, então, uma jornada de «muita insistência», a pouco e pouco «fomos conseguindo fazer entender aos comerciantes que era fundamental a sua presença».
Quanto ao programa científico, João Manuel Lopes Fonseca garante que «senti desde o início que era fundamental ter um bom elenco de palestrantres e que, por isso, a minha responsabilidade major era organizar um painel de conferências de alto nível científico e felizmente consegui».
Para além das palestras e comunicações livres, da responsabilidade de oradores nacionais e internacionais, o evento contou com quatro formações pós-graduada e ainda foram apresentados seis posters científicos.
Foi ainda procurado estimular a presença dos profissionais de ortodontia, bem como de higienistas, estudantes e assistentes dentárias.
A procura da melhor solução
O presidente da comissão organizadora caracteriza o congresso como sendo «eclético, pois ouvimos todas as filosofias». No entanto, destaca algumas das temáticas em discussão durante os dias de trabalho, nomeadamente os sistemas autoligáveis. «A grande mudança da nossa especialidade é a filosofia do tratamento, ou seja, se é um sistema com fricção ou com pouca fricção». E, segundo João Manuel Lopes Fonseca, actualmente, estes sistemas «são tema de interesse e paixão dos profissionais, daí termos trazido duas pessoas com muita experiência em aparelhos autoligáveis, mas adeptas de filosofias e casas comerciais diferentes». Reiterando que «a maioria dos colegas tem muito interesse e curiosidade», o ortodontista explica que têm também «muita relutância em mudar» porque «começar a utilizar autoligáveis significa uma mudança de atitude perante o nosso paciente. Nós tratamos pessoas, daí que tenhamos de estar muito bem seguros quando queremos mudar de um sistema para outro».
Se estes aparelhos já são utilizados frequentemente noutros países, «no nosso a sua utilização ainda está um pouco atrasada, havendo pouca gente a trabalhar com eles». Não obstante, «de mês para mês, o aumento é exponencial, há semelhança daquilo que se passa em todo o mundo».
Outro dos temas em destaque foram os microimplantes, «uma arma fantástica quando conjugados com outros sistema» e os propulsores mandibulares, a propósito dos quais estiveram presentes “representantes” de «duas escolas. Basicamente, têm pormenores de engenharia diferentes, mas objectivos iguais».
No fundo, aquilo que se pretende é «melhorar as caras dos nossos pacientes, não descurando a oclusão, e de uma forma harmoniosa», assegura João Manuel Lopes Fonseca, acrescentando que, para tal, devem-se ter em conta várias vertentes, designadamente «cuidar bem dos pacientes, optando por tratamentos mais rápidos, confortáveis e económicos… visto que temos de nos adaptar aos tempos que correm».
«Nós em medicina temos de ir à procura da melhor solução para o paciente, que não deve ser visto como “caso número 3”, mas sim como o João ou a Maria, ou seja, como uma pessoa que tem as suas especificidades e individualidades». Neste sentido, de acordo com o presidente da comissão organizadora, «frequentemente, para atingirmos os nossos objectivos, temos de conjugar o melhor de várias técnicas e é para aprender sobre elas que estes congressos existem».