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“É necessário regulamentar a profissão”

Tentar superar, tanto no conteúdo, como em número de inscrições, o congresso do ano passado. Este é o objetivo da comissão organizadora do Congresso da Associação Portuguesa de Técnicos de Prótese Dentária, da qual Mauro Pessanha faz parte. Quisemos saber o que está a ser preparado para esta edição. “Este ano temos uma vez mais um painel de palestrantes de topo e procurámos abranger todas as áreas da prótese dentária”, refere. Tanto os oradores nacionais como internacionais escolhidos “pertencem a um grupo restrito de técnicos que dedicam o seu trabalho à inovação, criação, desenvolvimento e melhoramento quer de técnicas, quer de materiais e são reconhecidos como tal. É o caso de Ruan Sampol, Javier Lopez, Miguel Cano, Enrico Steger, Miquel Coronel, Joan Pou, Marcelo Miranda, João Desport, Ana Rodrigues, Nuno Leal e Ricardo Borges, que vão rechear o congresso de inovação e tecnologia de ponta, bem como nos vão mostrar a sua paixão pela profissão”.

A intenção da organização é apelar à participação do maior número possível de técnicos de prótese dentária, bem como atrair o interesse de médicos dentistas a este evento. “Este ano o congresso realiza-se no Porto e tem o objetivo de o aproximar mais dos colegas do norte e centro do país, para poderem partilhar as suas experiências”.

“Por experiência própria sabemos que os técnicos de prótese dentária portuguese procuram muito este tipo de eventos que constituem uma forma de atualização, onde podem melhorar os seus conhecimentos, descobrir novas técnicas e nova tecnologia”.

Vale a pena ir?

Para Mauro Pessanha, “o valor do grupo de palestrantes escolhidos constitui, por si só, garante de uma qualidade excecional que certamente criará grande interesse na participação dos técnicos de prótese dentária”. Por outro lado, o anfiteatro da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto proporciona o espaço ideal de confraternização entre todos “e dispõe de uma área de exposição a qual, com a participação indispensável das empresas presentes, irá proporcionar um com relacionamento comercial entre técnicos e empresas”.

Os congressos da APTPD costumam pautar-se por uma grande adesão, sendo que este vai ser o segundo congresso realizado pela atual direção. “Por experiência própria sabemos que os técnicos de prótese dentária portuguese procuram muito este tipo de eventos que constituem uma forma de atualização, onde podem melhorar os seus conhecimentos, descobrir novas técnicas e nova tecnologia”. Na opinião de Mauro Pessanha, “esta direção da APTPD definiu desde o início da sua atividade a necessidade de aproximar os técnicos de prótese dentária e elegeu entre outras atividades a realização de um congresso de dois em dois anos, como forma de atingir os seus objetivos, no entanto tendo em consideração o feedback extremamente positivo dos participantes no congresso de 2013, aliado à disponibilidade imediata demonstrada pelos colegas do norte em organizar um evento idêntico no Porto fez com que a direção aceitasse a sua realização, de forma extraordinária, já em 2014”.

técnico de prótese dentária [1]

O que vai estar em discussão?

Além das apresentações dos palestrantes, a APTPD reserva uma parte do congresso para a discussão sobre os problemas da profissão e a divulgação das suas atividades. “Neste espaço contamos poder divulgar a nossa atividade junto de algumas instituições com as quais temos vindo a desenvolver trabalho no sentido de resolver problemas dos técnicos de prótese dentária e vamos contar com a presença dos representantes da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) e do INFARMED”. Quanto aos pontos de discussão, estes vão incidir sobre “questões legais inerentes à profissão, o caminho a percorrer para organizar a profissão no sentido de saber quem somos, quantos somos e quem está habilitado a exercer a profissão dentro de um enquadramento legal”.

“As entidades que regulam e fiscalizam todas estas profissões não têm mecanismos suficientes para combater todas as ilegalidades que são praticadas. Esta lacuna permite que ainda nos dias de hoje exista um número incerto de laboratórios a funcionar à margem da lei e de pessoas a iniciarem um percurso na nossa profissão sem estarem devidamente habilitadas.”

Para Mauro Pessanha, uma das principais dificuldades passa pela organização da própria profissão.  “As entidades que regulam e fiscalizam todas estas profissões não têm mecanismos suficientes para combater todas as ilegalidades que são praticadas. Esta lacuna permite que ainda nos dias de hoje exista um número incerto de laboratórios a funcionar à margem da lei e de pessoas a iniciarem um percurso na nossa profissão sem estarem devidamente habilitadas”. Por tudo isto “regulamentar a profissão, com a definição das competências do técnico de prótese denária, constituiu uma necessidade imperiosa para normalização da atividade”.

No futuro, Mauro Pessanha gostaria de assistir à criação de uma entidade onde a inscrição dos técnicos de prótese dentária fosse obrigatória, que se ocupasse da organização e regulação da profissão. Mas para atingir tal objetivo é necessário que a APTPD “reúna o maior consenso possível entre todos e possa, pelo seu número de sócios, ser uma voz representativa da classe. A inclusão por direito próprio do técnico de prótese dentária na equipa de saúde oral, como técnico de diagnóstico e terapêutica, desenvolvendo a sua atividade com responsabilidade e autonomia em parceria com todos os outros elementos, constitui também um outro desejo no futuro próximo”.

Por falar em futuro, quais os planos para o futuro da APTPD? “Manter uma boa relação com todas as entidades com atividade na área da saúde oral, aprofundar parcerias com instituições como a SPEMD, SPED, AIP e OMD no sentido de participar na construção de uma melhor saúde oral, aumentando o conhecimento científico, melhorando a formação e a participação na equipa de saúde oral”. Mauro Pessanha sublinha ainda a importância da “criação de uma organização de inscrição obrigatória para podermos regular o exercício da nossa profissão”.

Artigo publicado na edição de setembro/outubro de 2014 da revista SAÚDE ORAL