Nos dias 12 a 14 de maio, no MS Aparthotel Lisboa, em Linda-a-Velha, decorrem as jornadas funcionais organizadas pelo Instituto Respirar.
Esta será a segunda edição de um evento que junta médicos dentistas com uma visão funcional e profissionais de saúde de outras áreas porque a multidisciplinariedade inspira este encontro.
“No ano passado, juntámos cerca de 150 profissionais de saúde: médicos, dentistas, terapeutas da fala, fisioterapeutas, osteopatas, enfermeiros e médicos”, pormenoriza Rita Sousa Tavares, médica dentista e mentora destas jornadas.
Este ano, as jornadas vão abordar temas como “aleitamento materno e crescimento craniofacial”, “Síndrome de Down e OFM (Placa Palatina de memória: quando e porque usar)”, “DTM na infância, adolescência e fase adulta: qual o papel da OFM?”, entre muitos outros temas.
“Nestes dias iremos promover a medicina dentária funcional, falar de reabilitação Neuro-oclusal com Ortopedia Funcional dos Maxilares, Ortodontia, Frenuloplastia Lingual na reabilitação Neuro-oclusal, DTM e parafunções e hábitos como alimentação e sono. A Ortopedia Funcional dos Maxilares tem vindo a crescer nos últimos anos em Portugal. Teve origem em Espanha com a Reabilitação neuro-oclusal de Pedro Planas na década de 1950 e continuou com a Professora Wilma Alexandra Simões, no Brasil. Na Europa, França é o país mais forte”, acrescentou Rita Sousa Tavares, concluindo que “as jornadas servem precisamente para de uma forma informal discutir as abordagens funcionais”.
Nos dias 12 e 13 de maio decorre uma reunião científica com a Professora Patrícia Valério e no dia 14 de maio as Jornadas Funcionais da Reabilitação Neuro-Oclusal.
Rita Sousa Tavares explica que a Ortopedia Funcional dos Maxilares “atua diretamente sobre o crescimento de desenvolvimento dos maxilares e estruturas adjacentes, promovendo o remodelamento e redirecionamento de crescimento com os aparelhos ortopédicos removíveis. Esta especialidade da Medicina Dentária é responsável por tratar alterações e desequilíbrios musculares, ósseos, de postura do paciente e também de funcionamento dos maxilares; alinhamento dos dentes e problemas da articulação temporo-mandibular (ATM). Algumas pessoas chegam a confundi-la com a ortodontia, pois ambas lidam com o mau posicionamento dentário nas arcadas, mas não são a mesma técnica”.
Os aparelhos utilizados em OFM têm como objetivo produzir estímulos na rede de neurónios sensoriais na região oral, levando a mensagem até ao sistema nervoso central, que atuará remodelando as estruturas do sistema estomatognático (SE). As mudanças que ocorrem no SE são também incorporadas pelo córtex sensorial/motor e são codificadas como novas memórias de longo prazo, as quais são responsáveis pela manutenção do SE no novo equilíbrio.
Rita Sousa Tavares explana que “estes aparelhos produzem estímulos na rede dos neurónios sensoriais da região oral, que levam a mensagem até ao sistema nervoso central que, por sua vez, responde remodelando estruturas ósseas, musculares, articulares e funcionais. Assim, a estética da face e as funções exercidas pela boca são restabelecidas, trazendo de volta o equilíbrio do sistema nervoso”.
A especialista descreve ainda os sinais e sintomas observáveis e tratáveis pela OFM:
- maxilares pequenos;
- mordida cruzada atrás;
- bruxismo (ranger de dentes), apertar dentes;
- barulho nos maxilares durante a mastigação;
- dores de cabeça;
- zumbido no ouvido;
- dor de ouvido;
- dor na face/maxilares;
- queixo saliente;
- dentes tortos ou apinhado;
- dentes da frente que não se tocam;
- dentes superiores da frente que cobrem os inferiores (“queixo de bruxa”);
- dentes salientes ou queixo retraído;
- lábios normais que se mantêm abertos;
- língua entre os dentes da frente;
- apneia do sono;
- entre outros”.
Por se utilizarem estímulos neurais, a Ortopedia Funcional dos Maxilares difere fundamentalmente e conceitualmente da Ortopedia Facial (Ortodontia), que usa força mecânica sobre os dentes e ossos por meio de aparelhos fixos.
Esta intensa plasticidade neural produz remodelação e crescimento ósseo, inclusive em idade adulta madura, desde que adequadamente estimulada. Em fases de idade óssea mais precoces, são mais eficientes.
O grande avanço na neurociência permite visualizar que num futuro próximo serão melhor entendidos os sistemas neurofisiológicos que medeiam os tratamentos realizados, levando a OFM a novos patamares de evolução.
“Ainda surgem muitas vezes questões sobre a efetividade deste tratamento em adultos”, conclui Rita Sousa Tavares.


