Neste estudo que avaliou 330 crianças, a mesma população do estudo da Casa Pia realizado entre 1996 e 2006, os investigadores descobriram que os rapazes portadores destas variantes eram mais propensos a défices neurológicos e comportamentais associados ao mercúrio. O estudo incluiu 164 rapazes e 166 raparigas com idades entre os 8 e os 12 anos, que participaram no estudo para analisar os efeitos na saúde da amalgama dentária nas crianças.
Os investigadores analisaram os níveis de mercúrio presentes na urina das crianças e a sua performance neurológica e comportamental durante sete anos após a introdução da amálgama nos dentes. Entre os rapazes estudados verificaram-se vários efeitos devido aos variantes no gene metalotioneína, nomeadamente ao nível da visão, e também ao nível da aprendizagem e da memorização, com alguns impactos também nos níveis de atenção e nas capacidades motoras.
Segundo António de Vasconcelos Tavares, vice-reitor da Universidade de Lisboa, neste estudo “não participou nenhum investigador da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa”, sendo que por isso não pode fazer comentários. “O estudo é planeado e realizado principalmente por investigadores da Universidade de Washington”. Ainda assim, o vice-reitor da UL constatou que “o desenho do estudo não parece ter sido o mais indicado para o que se pretendia demonstrar. Apesar do teor do artigo ser um pouco negativo, nas suas conclusões, relativamente à segurança da amálgama, a forma como o estudo foi planeado não permite implicar a amálgama diretamente, como eventualmente seria o propósito inicial”.
Segundo Vasconcelos Tavares “somos levados a concluir que algumas crianças, sobretudo do sexo masculino, poderão ter características genéticas que as tornam mais suscetíveis aos efeitos da exposição ao mercúrio em geral, independentemente da sua origem”.
Os autores do estudo dizem que os resultados podem ter implicações importantes ao nível da saúde pública e podem ajudar a delinear estratégias para proteger as crianças e adolescentes de riscos de saúde associados à exposição ao mercúrio. Os investigadores dizem ainda que o consumo de peixe pode também estar associado às alterações do nível de mercúrio na urina das crianças, tendo em conta que Portugal é o maior consumidor de peixe da Europa per capita.


