O esmalte dentário surgiu pela primeira vez na pele dos peixes há mais de 400 milhões de anos. A conclusão é de um estudo recentemente publicado na revista científica Nature que sugere que “este tecido foi revestindo a cabeça dos peixes e finalmente passou também a cobrir os dentes”, segundo o Público.
O jornal explica que certos peixes, como o celacanto, têm na pele estruturas com uma composição parecida à dos dentes dos vertebrados, e até agora assumia-se que o esmalte dos dentes e a estrutura rija no corpo do celacanto tinham surgido e evoluído separadamente.
“Nos humanos, o esmalte só se encontra nos dentes, e é muito importante para a sua função, por isso é natural assumir-se que evoluiu aí”, refere o paleontólogo Per Erik Ahlberg, da Universidade de Uppsala, um dos autores do estudo, citado pelo Público.
Depois de uma análise ao genoma do Lepisosteus oculatus, um peixe que pertence aos actinopterígeos e depois de uma investigação aprofundada ao passado de duas espécies de peixes, o Andreolepis (de há 425 milhões de anos, encontrado na Suécia) e o Psarolepis (de há 418 milhões de anos, descoberto na China), os investigadores perceberam que o primeio peixe tinha um camada fina de esmalte nas escamas do corpo e que o segundo tinha esmalte nas escamas do corpo e na cabeça.
“A partir deste conjunto de dados, os cientistas propuseram uma hipótese sobre o surgimento e a evolução do esmalte. Primeiro o tecido surgiu nas escamas do corpo, como mostra o Andreolepis, depois passou para o crânio, o Psarolepis é o exemplo desta fase, e finalmente o tecido avançou até aos dentes, veja-se o celacanto”, indica a publicação.


