As 32 crianças envolvidas no estudo apresentaram melhorias após serem tratadas com expansão ortodôntica ou adenotonsilectomia, mas 28 dos participantes necessitaram dos dois tratamentos para que os sintomas da OSA fossem completamente eliminados, noticiou o “Medical News Today”.
É de salientar que duas crianças não apresentaram mais sintomas após serem tratadas apenas com expansão ortodôntica, enquanto que outras duas continuaram a apresentar sintomas mesmo após os dois tratamentos.
«Normalmente, os médicos tratam a OSA retirando as adenóides e as amígdalas», afirmou o investigador principal do estudo, Christian Guilleminault, da Stanford University School of Medicine, em Palo Alto, Califórnia.
Contudo, «a combinação dos dois tratamentos – um deles, um tipo especial de ortodontia – permitirá obter melhores resultados ao invés de apenas a eliminação das amígdalas ou das adenóides», acrescentou.
As crianças que participaram no estudo – que ocorreu durante 30 meses -, com idades compreendidas entre cinco e nove anos, foram referenciadas ao Stanford Sleep Disorders Clinic com sintomas como o ressonar, a fadiga diária e anormais movimentos durante o sono. Os participantes foram escolhidos para integrar o estudo após a OSA ter confirmado, através da polissonografia e análises clínicas, que ambos os tratamentos eram efectivamente necessários.
Numa primeira fase, metade das crianças foi tratada com adenotonsilectomia, realizada por um otorrinolaringologista, e a outra metade foi tratada primeiro com expansão ortodôntica, através de uma aparelho que se fixa aos dentes. Após o tratamento, cada criança foi monitorizada novamente por polissonografia durante a noite e avaliada na clínica três a seis meses depois.
Todos os participantes registaram melhorias dos sintomas, mas sem que estes se revelassem, no entanto, normalizados, pelo que não se registaram diferenças significativas entre os dois grupos de tratamento – excepto as duas crianças cujos sintomas foram eliminados depois da expansão ortodôntica.
As restantes 30 crianças foram então tratadas com o segundo método, seguido por nova polissonografia e avaliação clínica.
Apesar de o estudo ter alcançado resultados positivos, Guilleminault previne que o tratamento da OSA em crianças é complexo, sendo ainda necessárias mais informações para o estabelecimento de regras.
«Na maioria dos casos, ambos os tratamentos, cirúrgico e ortodôntico, foram necessários, mas em alguns casos o segundo tratamento poderá ser a primeira opção», considerou. Por outro lado, «também temos de nos lembrar que a combinação dos dois tratamentos pode não ser suficiente para resolver o problema nas crianças», salientou.
O autor frisou, ainda, que o êxito do tratamento pediátrico da OSA requer uma abordarem interdisciplinar e de colaboração entre os profissionais de saúde. «Os especialistas pediatras em sono necessitam de trabalhar em colaboração não apenas com cirurgiões do ouvido, nariz e garganta, mas também com médicos dentistas», aconselhou Guilleminault. «Os ortodontistas pediatras deveriam aprender aquilo que pode ser feito para auxiliar o especialista do sono a obter melhores resultados no tratamento da apneia obstrutiva do sono em crianças», concluiu.
Apneia obstrutiva do sono: Tratamento pode requerer combinação de método ortodôntico e cirúrgico
Apesar dos tratamentos da apneia obstrutiva do sono (OSA, na sigla em inglês) através da expansão ortodôntica ou da adenotonsilectomia melhorarem os sintomas, inúmeras crianças necessitam dos dois tratamentos em concomitância para obter uma completa resolução dos sintomas daquela patologia, de acordo com um estudo publicado no jornal “Sleep”.


