O ano de 2017 arrancou com a publicação de um estudo promissor para a medicina dentária: Promoção da regeneração natural do dente com uso de moléculas antagonistas de GSK-3. Vítor Neves, DDS, MSc, é investigador brasileiro no King’s College London e em entrevista à SAÚDE ORAL revelou como decorreu o processo até à publicação do estudo. “A pesquisa foi enviada no final de setembro, aprovada em novembro e publicada a 9 de janeiro de 2017. Concluímos que a ativação local da cascata de sinalização Wnt, logo após a lesão dental, com as drogas usadas e em especial a Tideglusib, faz com que tenhamos um aumento de secreção de dentina reparativa”.
O investigador descobriu um novo método para estimular a renovação de células estaminais da polpa dos dentes através de um fármaco utilizado para tratar o Alzheimer. O estudo foi publicado pela revista científica Nature, e revela que esta metodologia poderá ser uma forma de estimular a reparação natural dos dentes. Falamos da utilização de Tideglusib, um fármaco que já foi utilizado em vários estudos clínicos como uma alternativa para o tratamento da doença de Alzheimer e que neste estudo foi utilizado na forma de pequenas moléculas para estimular a renovação de células estaminais da polpa dentária.
De acordo com a investigação, este novo método pode ser uma forma eficaz de estimular a regeneração das células estaminais da polpa dentária, gerando nova dentina – o material mineral que protege os dentes – nas cáries dentárias. O objetivo é, assim, que os dentes se reparem de forma natural, reduzindo a necessidade de obturações dentárias.
O investigador descobriu ainda que “o método usado tem capacidade de se transformar numa técnica usada na clínica odontológica devido à sua simplicidade, eficácia e biodegradação da esponja, que leva a ter um tecido reparado com a nova dentina e não material + nova dentina”.
Segundo Vítor Neves, atualmente estudante de doutoramento no Craniofacial Development and Stem Cell Biology Department, no King’s College London, “todos os dentes têm a capacidade de se regenerar a eles próprios. Hoje em dia a odontologia usa cimentos sintéticos para dentes com lesões e esses cimentos falham pois não são baseados na biologia do reparo dental”. E continua: “um dente não é só um pedaço de mineral, dentro dele existem células, vasos sanguíneos e nervos. Este compartimento é a polpa dentária e no seu interior estão as células estaminais do dente. Portanto, pensámos que poderíamos usar um método simples de estimular os genes, que são a chave na regulação das células estaminais usando pequenas moléculas para conseguir uma regeneração biológica mais avançada”.
Na opinião do investigador, os procedimentos mostrados no estudo “ainda necessitam de ser transferidos em animais maiores e testados em humanos para que possamos afirmar que podem contribuir para uma melhor restauração na prática clínica diária. Porém, as possibilidades parecem-nos muito promissoras devido à simplicidade do procedimento, uma vez que tudo o que usamos já foi aprovado para uso em humanos e também foi utlizado em humanos, o que facilita o caminho para um ensaio clínico. Este procedimento não só afeta a prática clínica, mas também a visão dos dentistas quanto à odontologia, pois mostramos que o dente é capaz de se reparar sozinho com a sua própria capacidade. Só precisa de um pequeno empurrão!”
Consultar o estudo.


