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XVIII Congresso OMD: O melhor de sempre

XVIII Congresso OMD: O melhor de sempre

Cerca de 2800 profissionais passaram pelas seis salas do XVIII Congresso da OMD, que foi considerado «o melhor de sempre». Entre os dias 5 e 7 de Novembro de 2009, as principais inovações e novidades das diferentes especialidades foram apresentadas pelos 53 conferencistas – 33 estrangeiros e 20 nacionais – num evento em que nem os casos de insucesso foram esquecidos. No final o balanço foi «extremamente positivo» e ficou a promessa de maior apoio do Governo à saúde oral.

Orlando Monteiro da Silva, bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, afirmou na cerimónia de abertura do XVIII Congresso da OMD que o evento, que decorreu de 5 a 7 de Novembro, foi o «maior de sempre» ao reunir 2757 congressistas.

Como sublinhou Natália Lucas Nunes, presidente da comissão organizadora do congresso, esta foi uma «tarefa exigente», mas no final o balanço não podia ser mais positivo. «Os objectivos foram absolutamente atingidos. O programa científico foi apreciado por todos os participantes e os números de congressistas e visitantes à Expo-Dentária foram os maiores de sempre».

Melhorar políticas de saúde oral

Na ordem do dia estiveram temas como as políticas de saúde nacionais e os congressistas puderam até perceber se existem assim tantas diferenças entre o modelo português e o americano, dado que Ronald Tankersley, presidente da American Dental Association, foi um dos palestrantes.

Orlando Monteiro da Silva afirmou que a OMD tem sido um importante parceiro na definição das políticas de saúde nacionais, elogiando o Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral (PNPSO) mas, ao mesmo tempo, pediu um esforço para encurtar os prazos de pagamento aos médicos dentistas aderentes ao programa.

Já Ronald Tankersley elogiou os esforços nacionais em torno da saúde oral e Roberto Vianna, presidente da FDI, salientou o importante contributo dos médicos dentistas portugueses para a odontologia mundial, numa profissão que classifica por ser «cada vez mais jovem e actuante».

Paulo Melo, que tem acompanhado de perto a implementação do cheque-dentista no nosso país considera mesmo que «há um problema generalizado a nível mundial em termos da necessidade de sensibilização dos políticos para a problemática da saúde oral». Contudo, as diferenças entre a realidade americana e portuguesa são notórias, principalmente no que diz respeito à percentagem da população abrangida pelo sistema público e privado. Ora nos EUA, «cerca de 30% da população não tem dinheiro para pagar tratamentos dentários no sector privado» – os restantes estão cobertos por seguros de saúde – e, normalmente, recorrem ao Medicaid «um programa claramente insuficiente e que os médicos dentistas americanos consideram não ter o retorno financeiro suficiente». E a afirmação de Ronald Tankersley de que «caridade não é um sistema de saúde sustentável» explica bem esta posição.
Há ainda um outro factor que distingue as duas realidades, «se nos EUA há falta de profissionais, não havendo um rácio suficiente entre o número de médicos dentistas e a população, em Portugal há já um excesso de profissionais».

Estabelecer prioridades

Assim, Paulo Melo considera que é mais fácil conseguir reunir profissionais dispostos a trabalhar numa área em que não há cobertura, «mas temos apenas 30% da população coberta em termos de cuidados de saúde oral», pelo que há muito trabalho a fazer neste campo».

O médico dentista achou interessante o conceito introduzido pelo especialista americano «da necessidade de objectivos ou metas a atingir em termos de apoio na saúde oral, criando degraus em termos de necessidades de atendimento – em primeiro as infecções, traumatismos e problemas relacionados com o foro oncológico; no segundo patamar o apoio às crianças com tratamentos básicos; e em terceiro o tratamento de adultos».

Já em Portugal, existem «carências graves ao nível hospitalar e estamos na primeira fase da resposta aos tratamentos básicos para crianças, ao termos estabelecido três faixas etárias, mas o ideal é abranger todo o crescimento da criança, além de que nos adultos se optou por uma estratégia de grupos de risco».

Igualmente presente na cerimónia de abertura, Manuel Pizarro, secretário de Estado Adjunto e da Saúde, elogiou o PNPSO, afirmando que mais de 300 mil pessoas já usaram cheque-dentista, num resultado que classifica como «francamente animador», apesar de não terem sido utilizados todos os cheques distribuídos. Manuel Pizarro adiantou ainda que «em breve, o programa vai ser alargado aos portadores de VIH», e que o atraso de tal medida se deve a dificuldades técnicas, porque é necessário assegurar confidencialidade.

Congresso abrangente

Implantologia, Oclusão, Endodontia, Medicina Oral, Odontopediatria, Reabilitação Oral, Estética, Dentisteria Operatória, Ortodontia, Prótese e Periodontologia foram alguns dos temas em debate. Sem querer destacar nenhuma das palestras que foram captando a atenção dos congressistas ao longo dos três dias do evento, a presidente da comissão organizadora, afirma que, «na generalidade, o grau de satisfação de todos os participantes foi elevado. Na componente científica poderemos destacar a presença de Jeffrey Okesson (Oclusão), Tidu Mankoo (Reabilitação Oral), Galip Gurel (Estética) e Jorge Perdigão (Dentisteria) que apresentaram salas completamente cheias».

Questões profissionais

Mas, ao longo do congresso, além das conferências respeitantes às diferentes especialidades houve ainda lugar para uma sala dedicada às questões sócio-profissionais.

João Braga, apresentou os resultados do inquérito sobre a “Situação profissional dos médicos dentistas”, tendo lamentado a «fraca resposta obtida». Isto porque, dos 6478 inquéritos enviados, apenas foram obtidas 1642 respostas, «o que não traduz a verdadeira realidade profissional no nosso país».

Contudo, segundo o médico dentista, foi possível concluir que esta é uma classe profissional jovem, em que o número de licenciados tem vindo a aumentar, assim como o número de desempregados. Entre os que exercem a profissão, a maioria dos inquiridos (41,8%) trabalha exclusivamente por conta própria, possui convenção com subsistemas de saúde (68,5%) e atende uma média de 41 a 60 consultas por semana (cerca de 35%).

Por seu turno, Paulo Melo e Rui Calado fizeram uma avaliação global do PNPSO e do cheque-dentista, assumindo que o programa direccionado às crianças e jovens engloba «apenas três momentos», mas que foram concentrados «esforços nas fases em que as crianças mais precisam», sendo que o objectivo geral é que «aos 15 anos todos tenham os dentes permanentes protegidos e tratados». No fundo, os médicos dentistas esperam que os profissionais encarem o «momento da consulta como uma oportunidade especial para passar conhecimentos para a manutenção de uma correcta saúde oral para toda a vida».

 Quanto às queixas de atrasos no pagamento dos cheques, foram também deixados alguns alertas: «há médicos dentistas que pedem o pagamento dos cheques um a um e não uma vez por mês». Está então a ser criado um sistema para que sejam «emitidas guias para pagamento dos valores entre os dias 1 e 8 de cada mês». Também a construção do SISO deverá estar concluída já em Janeiro, «integrando o sistema de apoio ao médico e sistema de contabilidade das ARS».

No último dia do congresso, não foram esquecidos os casos de complicações e insucessos que foram debatidos em quatro mesas-redondas abrangendo as diversas especialidades da medicina dentária.

«Balanço muito positivo»

No final, o espírito era de missão cumprida, como salientou Natália Lucas Nunes: «o balanço é muito positivo e a Comissão Organizadora encerrou o congresso com o espírito de missão cumprida e orgulhosa do trabalho desenvolvido para que o XVIII Congresso corresse muitíssimo bem!».

No próximo ano cabe a Pedro Pires assumir os comandos do XIX Congresso da OMD, que desta feita decorrerá no Porto.

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