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Entrevista

“Esta técnica vem simplificar a abordagem de uma forte percentagem de casos atróficos”

Bruno Queridinha Saúde Oral
Recentemente, Bruno Queridinha publicou o seu primeiro artigo científico, como primeiro autor, em que os resultados forneceram evidência sobre uma alternativa de reabilitação do maxilar posterior atrófico, algo que não é ainda transversal à comunidade de Medicina Dentária. Falámos com o médico dentista, que está neste momento em Shanghai, e que nos revelou como surgiu a oportunidade de realizar o estudo.

Quando terminou o curso de Medicina Dentária e em que instituição?

Terminei o curso de Medicina Dentária em 2009 na Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa.

Porque escolheu o curso de Medicina Dentária?

Medicina Dentária não era uma paixão à partida, mas sim um meio para trabalhar em saúde, isso sim uma paixão. O interesse pela área cresceu após o contacto com Cirurgia e outras disciplinas de cariz biomédico.

Foi relativamente fácil arranjar trabalho?

No espaço de dois meses após terminar o curso estava a trabalhar de Domingo a Domingo. O número de dias não era, no entanto, diretamente proporcional ao número de pacientes. Continuei sempre à procura e hoje estou muito satisfeito por nunca ter parado. Tentei numa fase inicial valorizar acima de tudo a aprendizagem. Foquei-me apenas numa área, na que considerei à data mais importante para mim.

O meu objetivo era acumular o máximo de experiências possível e levar o meu desempenho a um nível superior o mais rápido que conseguisse. Queria, como quero agora, ser sempre melhor em prol dos meus pacientes. Se há alguma coisa que posso dizer aos recém-licenciados é que não é fácil, mas não é impossível, e que a atitude e disponibilidade são 50% de um currículo.

Tem alguma área preferida?

A minha área de eleição é Cirurgia.

Pode explicar como surgiu a oportunidade de fazer o estudo agora publicado?

O estudo surgiu durante o meu Mestrado em Cirurgia, na Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto, que por sua vez resultou numa Tese e, por conseguinte, numa publicação. Na MaloClinic, onde exerço a minha prática clínica, os casos atróficos são uma constante e a necessidade de protocolos simplificados aguçam o interesse académico. 

 No âmbito da necessidade de uma Tese que me possibilitasse a obtenção do grau de Mestre em Cirurgia tive a possibilidade de ajudar a estabelecer uma equipa de trabalho formada pelo Professor Ricardo Faria de Almeida e Professor António Felino, da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto, e pelo Professor Paulo Maló e Mestre Miguel de Araújo Nobre, da MaloClinic, todos excelentes e reconhecidos profissionais com quem tive a honra de colaborar na realização deste estudo, que é muito atual.

Além da relevância científica de uma publicação, este estudo foi importante pois, salvo erro, representou a primeira colaboração entre ambas as instituições no plano científico.

Em que consiste o estudo?

O estudo comparou duas amostras de indivíduos com ausência de 3 ou mais dentes no maxilar posterior atrófico. Um dos grupos foi reabilitado com 1 implante reto e 1 implante angulado; o outro grupo, reabilitado com 2 implantes retos; ambos os grupos em função imediata.

Os objetivos foram comparar as taxas de sobrevivência dos implantes em ambos os grupos, a frequência de complicações biomecânicas e a perda óssea marginal. Ambos os grupos foram reabilitados utilizando os mesmos protocolos clínicos e de manutenção.

Os resultados do estudo forneceram evidência sobre uma alternativa de reabilitação do maxilar posterior atrófico, que não é ainda transversal à comunidade de Medicina Dentária, possivelmente por falta de conhecimento da técnica e/ou falta de experiência. No entanto, esta técnica vem simplificar a abordagem de uma forte percentagem de casos atróficos que, de outra forma, seriam submetidos a procedimentos mais demorados, dispendiosos e exigentes como enxertos ósseos.

Quais as conclusões do estudo?

Concluiu-se que, pela ausência de diferenças estatisticamente significativas entre as amostras para a maioria dos parâmetros estudados, a utilização de implantes colocados angulados é tão viável quanto a utilização de implantes colocados retos para a reabilitação do maxilar posterior atrófico.

Uma vez que a colocação de implantes retos em pacientes parcialmente edêntulos está muito bem documentada na literatura, o estudo foi uma forma de utilizar essa evidência para mostrar a viabilidade de uma modalidade alternativa, baseando-se também nas referências já existentes da utilização de implantes colocados angulados para reabilitação total.

E projetos para o futuro?

O trabalho tem-me levado a conhecer outras realidades. Tive oportunidade de trabalhar em Londres, neste momento estou em Shanghai. No entanto quero regressar a Portugal e focar a minha prática em Cirurgia e Investigação, que são as duas áreas que me aprazem, e explorar outras áreas de interesse mais associadas à gestão. Para o futuro? Muitas ideias, muitas etapas, mas uma de cada vez.

Para consultar o estudo clique aqui.

 

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